Que diferença faria se você não existisse?
Fiz-me essa pergunta há poucos dias e, tão logo a fiz, vi que poderia respondê-la em duas direções.
A primeira é no sentido de: que diferença faria pra mim mesmo, o que teria perdido e não teria vivido? Logo pensei em minha esposa e filhos. O sentimento que me veio foi de um grande alívio, pois, afinal, eles são a riqueza de minha vida. Mas não continuei por este caminho e logo pensei na outra direção: que diferença eu tenho feito na vida de outras pessoas? Da mesma forma, logo pensei na minha família, mas percebi que a questão, para ser respondida de forma honesta e profunda, deveria ser estendida para fora de minha casa. Assim, a questão mesmo é esta: se eu não tivesse nascido, que diferença isto faria na vida de outras pessoas para além do meu convívio familiar? Não sei quanto a você, mas essa questão pode nos deixar bastante deprê, arrasados, desanimados, pois talvez nossa performance solidária – tendo este como um dos fatores que nos ajudam a responder positivamente a questão - não seja das mais louváveis. Então, também achei melhor não ficar muito tempo nessa direção e preferi pegar outro rumo: que diferença eu posso começar a fazer na vida de outras pessoas? Agora, sim, um novo céu se abre diante de nós. Um mundo de oportunidades-de-atribuição-de-sentido se descortina à nossa frente.
Vou lhe dizer como sinto, de coração, que podemos fazer diferença: olhe ao outro, fale com ele, lhe dê atenção de modo a deixar claro que ele tem um grande valor, que ele merece respeito, que ele, este outro, quem quer que seja, é amado por você, ou, se não tanto, respeitado. Isso pode ser traduzido em um sorriso, em um tempo que paramos para ouvir ao outro, em termos mais paciência com seus erros, como o que consideramos que sejam suas “burrices” e, até mesmo, mais tolerância com sua estupidez e arrogância (como é bom e terapêutico vermos nossa burrice, estupidez e arrogância serem tratadas com paciência). Mas também pode ser traduzido quando dedicamos algo de nossas vidas para o bem alheio, quando nos doamos e não vivemos somente para nós mesmos, quando nos solidarizamos com os sofridos haitianos ou etíopes, ou com as vítimas de enchentes, com os que sofrem, enfim. Essas coisas fazem-nos diferentes, pois nos humanizam.
Penso que a vida é muito mais confortável e tranquila quando não pensamos nessas coisas, quando não estamos nem aí se faremos essa diferença ou não. Mas uma certeza podemos ter também: nenhum de nós nasceu para passar pela vida sem deixar ao menos uma boa marca na vida alheia. Não precisamos ser mártires, nem pensarmos em ações nacionalmente revolucionárias, mas, quem sabe, cada dia uma diferença. Já escolheu a sua de hoje?
Até,
Vandi
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.

fevereiro 3rd, 2010 at 16:56
Humm…interessante, muito a se pensar. É mais fácil mesmo não pensar sobre isso, muito mais cômodo e e aí que entramos naquela do “silência dos bons”, por isso é muito bom sim nos incomodarmos e pensarmos sobre isso.
Mas penso que sim, como você disse, escolher deixar uma boa marca na vida diariamnte, porque até quando penso na minha vida familiar (que é maravilhosa, uma bença) creio que até aí poderíamos não fazer falta ou sermos substituídos.
Beijos
fevereiro 19th, 2010 at 9:44
Seus post são sempre pertinentes, Vandi! Como a Layla aqui em cima disse, realmente muito a se pensar! Nem sempre eu comento, mas sempre leio! Keep writting!
bj
março 14th, 2010 at 18:59
Olá, Vandi!
“Conheci” vc no prefácio do livro de Renato Vargens. Então vim aqui “te ler”. E gostei!
Transcrevi parte do prefácio numa das postagens de meu blog.
Grande abraço!
Luciene.
maio 18th, 2010 at 21:04
Vanderley, este texto ja havia lido em fevereiro, mas hoje, me tocou especialmente, pq amanha (19/05) completo 40 anos… e como sempre acontece na vespera de aniversarios, a gente da uma repensada na vida… e esbarro novamente neste texto… que me faz lembrar que nascemos pra viver em comunhao! E que o amor deve prevalecer nos nossos sentimentos… seja em gestos ou palavras. Bjs saudosos
junho 8th, 2010 at 14:43
Muito Bom o seu texto!
Nos faz pensar no privilégio da vida. Todo crente deveria perguntar o mesmo a si.
Abraços!!!
Idauro.