Lições com o Rev. Antônio Elias

          Volta e meia, alguém me fala sobre algo que aprendeu com o Reverendo Antônio Elias (a poucas pessoas caberiam tão bem o tratamento de reverendo). Se por acaso você não o conheceu, não vou poder apresentá-lo aqui, pois isto demandaria vários posts. Mas posso lhe adiantar que foi um daqueles pastores dos quais se deve dizer: “que grande e extraordinário homem ele foi. Um exemplo de bom pastor”. Ele faleceu em 2007, aos seus 96 anos de vida. Quero compartilhar algumas coisas que aprendi com ele e que me fazem muita diferença na vida.

          Há muitos anos, fomos falar com ele sobre alguns colegas de seminário que considerávamos carnais, ou seja, tão bagunceiros que não nos pareciam, sequer, serem convertidos. Achei mesmo que ele iria nos dar razão. Mas, não. Ele manteve-se em seu singular e vívido sorriso e nos disse: “pois é, filho, talvez estes se tornem verdadeiros homens de Deus lá na frente”. Confesso: fiquei decepcionado por não ter ficado do nosso lado. “Se ele soubesse de quem falávamos, não teria esta tola esperança”, pensei. Mas ele estava profeticamente certo. Eu jamais poderia imaginar que um daqueles que estavam em minha mente algoz, naquele momento, viria a ser um de meus grandes amigos e que me tem abençoado com seu ministério e com sua amizade. Um verdadeiro homem de Deus. É melhor mesmo não julgar ninguém, como também, deixar de lado toda arrogância. Valeu, Reverendo!

          Quando fui ordenado a pastor, o Reverendo estava lá. Pediram-lhe que nos desse alguns conselhos. Nos deu dois. Disse-nos que um ministério jamais pode ser desenvolvido sem oração. Hoje, já começo a compreender isto, pois vejo que a oração, mais do que ajudar ao desenvolvimento do ministério, ela nos transforma. Também nos disse algo com que fiquei surpreso: “com mulheres tenham toda amizade, mas pouca intimidade”. De novo pensei: “isto é radical e não é para mim”. Eu ainda era solteiro e o que mais queria era ter amigas. Hoje, conhecendo melhor minha própria natureza e vendo o estrago que esta intimidade distorcida causou na vida de alguns amigos, faço minhas as suas palavras: todo cuidado ainda será pouco. E, se você aí acha que estamos sendo radicais…: cuidado que não caia!

          Mais uma: estava em uma crise muito grande com uma igreja onde eu era o pastor. Esta igreja não crescia e era muito questionadora, o que era bom, e eu era muito apegado a ela. Fui procurá-lo na intenção de que ele me apontasse alguns caminhos para chegar ao crescimento que esperava. Ele apontou para outra direção e me disse algo que me desmontou todo e que foi difícil demais entender naquele momento: “Filho, se desta rocha não está saindo água, vai ver o Senhor quer que você bata em outra”. Ele calou-se e orou por mim. Foi difícil, mas considerei suas palavras e, em pouco tempo, eu estaria em outra rocha. Para minha alegria, depois de mim, muita água tem saído daquela, mas com a batida de outro. Glória a Deus!  A bênção é que eu descobri que, na verdade, Deus tinha outras águas para mim e que devo esperar o fruto condizente com o meu chamado.

          Uma última: fomos, eu e um amigo, conversar com ele sobre um grupo de pessoas que estavam deixando sua igreja e querendo ingressar na nossa. Lhe dissemos todas as coisas negativas que este grupo falara de seus ex-líderes. Ele simplesmente nos disse: “olha, filhos, se eles agora falam mal deles, amanhã estarão falando mal da gente”. Um sábio, não é mesmo?

          Ao Senhor a honra e nossa sincera e profunda gratidão por nos ter dado o privilégio de ter convivido com um homem assim.

          Até.

          No mais, deixemos de coisas e cuidemos da vida.

          Vanderley

Tags: , , ,

8 Responses to “Lições com o Rev. Antônio Elias”

  1. Jose Eduardo Says:

    Realmente, que homem foi o Reverendo, Vand. Gostava demais de sua forma simples, mas precisa, de expresar as verdades do evangelho. E gostava muito, mas muito mesmo, de seu sorriso verdadeiro e acolhedor.

    Pena não poder contar com ele por agora.

    Espero contar sempre com aqueles que ele discipulou.

    Abraços
    José Eduardo

  2. Gabi Says:

    É sempre bom ler novas/antigas histórias do Reverendo, para agradecermos a Deus tê-lo conhecido para que ele inspirasse nossas vidas. Quanta sabedoria ele nos transmitia da parte de Deus!

  3. bia bacana Says:

    O Rev. Antonio deixou sua marca em grandes acontecimentos da minha vida:
    1) Meus pais se conheceram por causa dele (funcionou como cupido ou Santo Antonio – como quiser) e se casaram com a benção dele. Em última análise, eu nasci com uma ajuda dele, que me batizou!
    2) A avó paterna do Evaldo se converteu numa pregação dele, levando toda a família pra igreja – e nessa, o Evaldo, com quem eu casei.
    É ou não é pra ficar pensando?
    bj

  4. vandi Says:

    DE fato, grande privilégio foi tê-lo conhecido. Nos deixou marcas abençoadores por toda a vida.

  5. Layla Botelho Says:

    Querido Pr. Vandi,

    Entrei para ler o segundo texto e esqueci que não havia comentado no primeiro. Li, até imprimi para meus pais lerem. Foi ótimo para todos nós, ótima leitura. O Pr. Antônio Elias era demais mesmo! E simples em todos, todos os detalhs da vida, ao mesmo tempo tão profundo…A parte de ser radical me tocou muito, ás vezes é difícil e podemos encontrar todas as desculpas do universo para fazermos o que estamos fazendo e dói nos desapegarmos, mas necessário para o crescimento do nosso relacionamento com Deus e para uma vida digna honrada.

    Beijinhos Pr..,
    Layla.

  6. vandi Says:

    Oi, Layla,
    Só agora vi que você comentou este post. Que bom que você gostou e passou para os seus pais. O Rev. marcou mesmo as nossas vidas, não é?
    Beijinhos,
    Vandi

  7. renato vargens Says:

    Vandi,

    Texto espetacular! Como precisamos de homens de Deus assim!

    Abraços,

    Renato VArgens

  8. manoel aquino cavalcante Says:

    Certa vez estive num dilema, era muito novo no ministério, ia fazer um matrimônio de uma jovem presbiteriana com um jovem não cristão, a jovem já estava grávida e, eu havia pedido para que ela não se vestise de vestimenta branca. Corri para perto do Reverendo Antônio Elias e perguntei: O que poderia fazer nesta situação? Ele rapidamente pensou e disse: “Coitadinha talvez ela só tenha esse vestidinho branco, faça o casamento!”

Leave a Reply

IMPORTANTE! Para prosseguir, você precisa solucionar a seguinte conta matemática(para que saibamos que você é uma pessoa) :-)

O que é 12 + 5 ?
Please leave these two fields as-is: