Archive for julho, 2010

Vê se te enxerga…

segunda-feira, julho 19th, 2010

          Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. Como é fácil perceber os erros nos outros, mas em nós mesmos…    

          Mas o ensinamento de Jesus, citado acima, nos deixa claro que precisamos reconhecer nossas próprias fraquezas antes de apontar as dos outros. Acho que Jesus, em outras palavras, estava nos ensinando: “sujeitinho, antes de falar de alguém: vê se te enxerga!”

          Quando reconheço minhas fraquezas faço-me autorizado diante do outro para lhe falar sobre suas questões. Enquanto não faço isso assumo uma postura julgadora e prepotente o que impede ao outro de me ouvir. Se não reconhecermos as fraquezas, não existirá energia ou ímpeto para levar uma pessoa a se mobilizar para mudanças. Em uma relação se uma das partes nega seus defeitos desde o começo, não haverá razão para o outro tentar reconhecer os seus e desenvolver novas e mais saudáveis posturas. É muito mais fácil se doar a alguém que abriu mão do orgulho e se dispôs a reconhecer o ruim dentro de si mesmo. Experimente fazer assim se quiser melhorar sua relação com alguém que você esta tendo dificuldades!

          Até porque, quem precisa ser invulnerável se mostrando ser sempre competente e seguro de si mesmo, não conseguirá observar fraquezas escondidas colocando na condição de se mostrar mais forte e perfeito ainda – nunca irá crescer – e seus conflitos não serão processados. Assim, se meu próximo – seja um cônjuge, um amigo, um parente ou colega de trabalho – não perceber meus esforços para mudar, ele também se enrijecerá. Mas, ao contrário, se nos mostrarmos dispostos à mudança abriremos caminho para que o outro aceite nossa ajuda e busque sua própria mudança.

          Se por um lado enxergar as próprias fraquezas permite ao outro que eu o ajude, o outro, por outro lado, se não admitir suas fraquezas, pode dificultar meu auto-exame ou mesmo dificultar a resolução de conflitos. Ligado a isto está o fato de que se uma parte que se considere afetada não conseguir processar a ofensa concedendo perdão, isto irá estagnar ou estragar ainda mais a relação. Ou zeramos os sentimentos de mágoa e ressentimentos ou tornaremos nossa relação cada vez mais desprazerosa e infeliz. Ás vezes é justamente a parte que se sente afetada que terá de se mobilizar, optando pelo perdão, aceitando ao outro sem impor-lhe acusações constantes, dando a si mesmo e ao outro a oportunidade de recomeçar tudo de novo.

          Por fim, somente quando reconheço a minha própria parte nos conflitos relacionais é que me torno capaz de avaliar corretamente a situação. Só enxerga a realidade com clareza quem não se exclui dela. Só posso ajudar ao outro se antes procurei ajuda pra mim mesmo, primeiro reconhecendo os meus desajustes e desacertos e, depois, tentando me tratar para processá-los e resolvê-los. É necessário humildade para isto, por isso devemos estar dispostos a nos livrar de nossa arrogância, deste orgulho destruidor, posto que não nos possibilita transformarmos a vida, não nos deixa restaurar o prazer de viver em comunhão, antes só o destrói.

          Em resumo: se eu me enxergar vou facilitar que você aceite o que eu enxergo em você e se você se enxergar vai facilitar que eu aceite o que você vê em mim e todos veremos com clareza a verdade entre nós e sobre nós.

          Estas atitudes poderão nos ajudar a construir relações mais saudáveis. Leve-as muito a sério, pois foram inspiradas nas palavras de Jesus (Mateus capitulo 7, versos de 1 a 5).

         Até.

         Deixemos de coisa cuidemos da vida.

         Vandi

PS. Zanza, que festança, hein? Parabéns, amiga.

Esta insuportável verdade!

sexta-feira, julho 9th, 2010

       Há muito tempo não ouço uma boa e dura verdade sobre mim. Por que será?  Não tenho dado motivos para ouvir nada? Não, creio que meus amigos não me dizem algumas verdades pela mesma razão que faz com que eu não lhes diga tantas outras. Que desastre ocorreria se começasse a dizer todas as verdades que penso! Mesmo dizendo da melhor forma, com amor, com jeitinho e tal… Há verdades bombásticas por si mesmas. Veja se não é verdade isto.

       Imagine você se tivesse amigos narcisistas… Sim, aqueles tipos extremamente vaidosos que pensam que todo o universo gira em torno de seus umbigos. Se você lhes dissesse sobre sua “umbiguidade”, creio eu, teriam dificuldade em continuar seus amigos. Se alguém me dissesse isso, eu acharia que é um recalcado qualquer.

       E se tivesse amigos mentirosos? Dentre estes, há os que acreditam em suas próprias mentiras e os que mentem pra manterem uma boa imagem ou uma boa política de relacionamento. Seria mais próprio chamar-lhes de falsos. Sim, é possível ter amigos falsos. Já pensou se lhes disséssemos: “Cara: você é muito falso. Este seu abraço é falso. Seu sorriso é falso. Sua amizade é falsa”. Eu, se ouvisse isso, me viraria e nunca mais olharia pra este sujeitinho arrogante.

       Você tem amigos burros, amigos imbecis, idiotas? É melhor que jamais saibam disso por seu intermédio. Espero que jamais me digam isto: não tenho esta maturidade também. Deixem-me com minhas burrices, imbecilidades e idiotices, mas, acima de tudo, deixem-me continuar sendo seus amigos.

       Amigos políticos: estes são amigos, não? Não discuto políticos.

       Se os amigos forem do tipo legalista, religiosos ao extremo e que pensam que são santos e tão somente fiéis, mas não passam de fariseus? Não lhes falemos isso, pois, além de nada adiantar, será chato às pampas o que eles vão falar da gente por aí. 

       Como se diz para os amigos feios, desajeitados, esquisitos que eles são feios, desajeitados e esquisitos? Se lhes dissermos isso, pulam da ponte. Se bem que isso eu já ouvi. Não pulei da ponte, mas agarrei no pescoço do sujeito e quase o matei.

       E os amigos que roncam, que roncam muito, mas muito alto mesmo? Ou que têm mau hálito ou ainda  não usam desodorante? Como dizer essas coisas a um amigo, sem lhe ofender ou magoar? Conquanto eu ache desonesto ver um amigo com feijão no dente ou com meleca no nariz e não lhe dizer nada… Mas, como reagirão a tal revelação?

       Tenho amigos traíras, que não são amigos, mas é melhor que pensem que são.

       Viram? A verdade pode, sim, ser desastrosamente insuportável. Não é toda verdade que liberta. É por isso que não podemos dizer tudo o que sentimos e pensamos. Isto seria uma transparência perigosa e talvez até homicida. Mas devo ter a certeza de que tudo o que eu disser seja verdade. O verdadeiro não diz tudo o que pensa, mas o que diz é verdade. O transparente diz tudo o que pensa, mas nem sempre é a verdade.

       Talvez não sejamos bons amigos – entenda-se: profunda, real e incondicional amizade. Sim, a verdade: quem a pode suportar? É por essa razão que Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. No próximo, eu falo mais sobre isso. De verdade!

       Até,

       Vandi

       Deixemos de coisa e cuidemos da vida.

PS. Madruga: Parabéns! Você é um amigo dos melhores que se pode ter. (Alguém transmita isso pra ele, pois ele não lê meus posts. Fui transparente?)