Archive for junho, 2010

A vida em cinco minutos.

sexta-feira, junho 25th, 2010

     Mas tudo começou em uma cerimônia fúnebre. Pode prosseguir a leitura, pois vou tentar fugir de qualquer tom lúgubre a que o episódio, por si só, nos remeta. Acontece que lá aconteceram coisas interessantes à beça.

     Quero falar de uma delas que foi a pergunta que o dirigente do cerimonial – meu querido amigo Jô – fez: “imaginem se ela tivesse a permissão de Deus para voltar aqui por cinco minutos e nos falar alguma coisa”. Minha mente viajou e nem me lembro do que meu amigo disse após. Não pensei nela, mas no que eu falaria e no que eu faria. O que se pode falar nos cinco minutos reiniciais e finais da vida? 

     Fiquei numa ansiedade enorme tentando escolher as melhores palavras. Afinal, seriam apenas cinco minutos com meus amados amigos e familiares. O que eu diria? Falaria sobre como é o céu, que lá é bom demais, que Jesus é lindo e lá só tem coisa boa? Eu só teria cinco minutos, meu Deus… O que se pode dizer de tão especial em um tempo tão curto? Será que eu falaria o quanto me senti amado por Jesus que não me cobrou absolutamente nada e só me deu boas vindas com um imenso sorriso? Isto poderia fazer meus chorosos amigos entenderem que Deus ama amar a gente e só quer que a gente experimente este amor a cada instante. Alguém já disse isto, eu sei, mas ama a Deus e vive! Gente: é só isso.

     Não sei o que diria se eu voltasse do céu… Não sei. Acho que eu ficaria ansioso em ver que o meu tempo estaria acabando e iria aproveitar para dar um último e apertadíssimo abraço em todos; talvez gastasse todo o curto tempo somente com minha família. Talvez não dissesse nada. Talvez me fingisse de morto por cinco minutos pra não assustar ninguém e só esperasse o retorno. Talvez falasse estas coisas acima…

     Mas, enquanto estou do lado de cá, tento viver algo do céu por aqui e o melhor de lá que podemos ter aqui é o amor de Deus e outros amores como os amigos e a família. Mas tento também trazer um pouquinho do céu aos outros, tentando deixar que este amor de Jesus vaze por meio de minha vida que, no fundo, no fundo, não passa de breves cinco minutos. Foi como a Liv, em cinco segundos, resumiu tão bem este texto: “Vandi, a vida não passa mesmo de cinco minutos…”

     A pergunta do meu amigo acima, na verdade, deveria nos fazer pensar no que vamos fazer nos próximos cinco minutos que ainda temos. Esteja certo: é este o tempo que a vida dura: “Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito” (Jó). É sim: a vida não passa de cinco minutos… E olha que dá para viver à beça neste tempo!

     Deixem-me terminar por aqui, pois tenho a minha frente cinco maravilhosos minutos pra viver e eu não tenho dúvidas do que vou fazer neles.

     Até.

     Deixemos de coisa e cuidemos da vida…

     Vandi

     PS: Lauren, minha valiosa amiga: Parabéns!

     Em tempo: Estou do Facebook. Se quiser me add: Luiz Vanderley Lima.

“Senta aqui, senhor!”

quarta-feira, junho 16th, 2010

 

Há cerca de duas semanas passei uma experiência inusitada. Pela primeira vez, uma adolescente cedeu-me seu lugar no ônibus. Vendo-a levantar-se já me falando: “senta aqui, senhor!”, nem tive a chance de negar. Ela marcou a minha vida. Sim, sou mesmo um senhor para quem os jovens já se levantam. Como soa estranho afirmar isso. Até ontem mesmo, eu me via na posição de um-dos-que-devem-se-levantar, mas agora sou um-daqueles-para-quem-se-levanta. A educada donzela (deixem-me assumir-me de vez!) ficou em pé ao meu lado durante um tempo. Algumas paradas depois, o lugar ao meu lado ficou vago. Eis o diálogo que se travou: “Olha, menina, você marcou a minha vida. Esta foi a primeira vez que alguém me cedeu o lugar. Por um lado, fico feliz em ver que ainda temos gente educada. Mas, por outro, vejo que ultrapassei mesmo o limiar da juventude. Agora, acaba de se inaugurar este tempo em minha vida: Sou um senhor-para-quem-se-deve-levantar. Eu nunca mais vou esquecer você. Você marcou a minha vida pra sempre”. Bem, ela não me respondeu nada, pois todo esse diálogo se travou apenas em minha mente. Não tive coragem de lhe falar nada disso, pois alguns destes senhores-para-quem-se-deve-levantar não passam de velhos assanhados. Fiquei com medo de ela pensar que eu era um desses. Ela só quis ser educada e ceder seu lugar a mim. Acho que fiz bem em não lhe falar nada. Mas, esse episódio foi um divisor de eras, de ciclos. Agora não me olho mais do mesmo modo no espelho.

Também não vejo mais a minha vida da mesma forma. Afinal de contas, estou na outra metade da vida. Acho que já estava há um bom tempo, mas só agora percebi de modo inquestionável. Não pensei em tirar a branca barba, nem em usar roupas mais joviais (caramba! Tô parecendo um velho!). Não pensei em mudar o cabelo. Pode ser que, daqui a uns anos, eu até queira fazer essas coisas, mas agora não. Apenas comecei a pensar no que fiz da minha vida até aqui. Ainda bem que, logo, logo, achei melhor pensar não no quê, mas, no como tenho vivido até aqui e concluí que foi acreditando e gostando – fiz com verdade. Errando à beça, mas “fui indo” e, às vezes, “fui voltando”, caminhando e seguindo minhas canções.

Falando em canções, lembro-me de uma frase de minha querida amiga, Wanda Sá: “É Vander (ela nunca me chamou de Vandi), esse pessoal me mete o pau… Mas eu tô aí, caminhando com Jesus, devagarzinho, enquanto vários deles já saíram do páreo”. Devo muito a Wanda, pois foi uma das pessoas que me ensinou a caminhar com Jesus desreligiosamente, sem falar no Madruga, na Lauren, no Robin, no Antônio, no… Pois é! Lembrei de amigos queridos, lembrei de histórias gargalhantes, lembrei que o que importa é continuar vivendo, indo-voltando-indo. E sobre cada hífen, entremeando cada momento: saboreando a convivência com a Liv, o êxtase de estar com Tequinho, Isabelle e João Pedro (e o Muleki, claro!). Lembrei ainda de, simplesmente, continuar na luta por meus sonhos e projetos atuais. Nada disto seria verdade se hoje eu não fosse um destes senhores-para-quem-se-deve-levantar.  Tá valendo e muito!        

Até,

Vandi.

Deixemos de coisas e cuidemos da vida.

PS. Antônio e Meise: Parabéns, amigos!

O amanhã cuidará de si mesmo! (Jesus)

segunda-feira, junho 7th, 2010

          Uma palavra, uma rápida reflexão, alguns provérbios e um poema.

          Indefectível: a tragédia pode estar logo ali, em algum lugar, e pode acontecer bem pertinho da gente e – resistindo à vontade insana de bater na madeira – devemos aceitar e dizer: pode, sim, acontecer até mesmo com a gente (sai pra lá…). Não adianta: ela está ali. Não sabemos onde ao certo e nem adianta procurar ou achar que algo irá nos imunizar a ela: a tragédia – o fato funesto enquanto uma surpresa medonha – pode estar ali na frente. Mas, agora que você leu isto, siga o meu conselho: esqueça! Sim, isto mesmo! Viva simplesmente o que esta diante de você agora. O amanhã cuidará de si mesmo. Mas viva da melhor maneira, com toda intensidade. Afinal, Deus, que é amor, está do nosso lado.

          Preciso saber sobre esta versão da vida onde a tragédia é iminente para não me revoltar contra Deus ou ninguém se ela me aparecer. Mas, em prol de uma vida saudável e feliz e, menos que isto, em prol de simplesmente seguir adiante, não devo deixar minha mente estacionar na possibilidade do trágico. Tais pensamentos devem ser interrompidos, pois pouca coisa tira-nos tanto a energia de vida como pensar o pior que pode estar logo ali. É este o sentido da frase dita por Jesus e que intitulou este post.

          Gostaria de concluir tudo isto com alguns provérbios inventados: “Se a manga vai virar um caroço, o que importa é ter curtido o seu sulco”, “Se a chuva melar a praia será ótimo jogar imagem e ação com as crianças”, “Se não chegar lá, valeu ter tentado dando gargalhadas”, “Se no fim não sobrar nada ou ninguém, a vida valerá pela água, pelo pão, pelo abraço, pelo riso que doamos”.

          Mas ainda falta o poema, não é?  

“Eu fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar,
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!

(Gonzaguinha)

 

Até,

Vandi

Deixemos de coisa e cuidemos da vida…

(Gente lá de casa: hoje é dia de pipoca e filminho com todo mundo debaixo do edredom, tá?)