Archive for dezembro, 2009

Para viver um Ano Novo Feliz

segunda-feira, dezembro 14th, 2009

    Quero dar algumas dicas infalíveis para se viver um ano novo feliz. Não é presunção, nem deslumbre: trata-se, apenas de coisas que, certamente, irão nos ajudar a viver dias felizes.

    Quanto aborrecimento, quanta tristeza e chateação nos vieram neste ano que passou devido a coisas que falamos de alguém ou para alguém. Ah, se não tivesse falado isso ou aquilo! Pra que eu tinha de dizer o que disse pra meu marido, ou minha esposa, ou meu irmão ou irmã, ou meu chefe, ou meu empregado, ou a este ou àquele? Por que eu tinha de responder logo daquela maneira…? Se tentarmos nos lembrar, veremos o quanto teríamos nos livrado de aborrecimentos se tivéssemos guardado melhor nossa língua. Eu já decidi: neste próximo ano vou vigiar muito mais o que tenho falado aos outros e dos outros, pois quero ter um ano mais feliz com meus filhos, minha esposa, meus amigos, com todos. Se tivesse coragem, poria até um piercing na língua pra me lembrar de que preciso vigiá-la.

    Quando adolescente, tinha pendurado no canto de meu teto uma língua enorme – era o famoso símbolo dos Rolling Stones. Acho que vou fazer isto outra vez, mas agora por esta razão: preciso controlar o que falo. Falar coisas que destratam, que magoam, que depreciam, que diminuem nunca, jamais, fazem bem a qualquer pessoa, muito menos a nós mesmos. Tais coisas jamais são justificáveis por serem ditas, jamais são razoáveis, jamais são a melhor escolha. Tais palavras não transformam, não melhoram ninguém. Só estragam a vida: a nossa e as de quem ou com quem as falamos.  

    Então, fale de outro jeito com seu cônjuge: a aspereza, a frieza, a dureza, este modo seco, curto, impaciente de falar só geram desânimo, afastamento e morte. Fale de outro modo com seus filhos: esta gritaria, estas palavras depreciativas, talvez até xingamentos, estas palavras de derrota, de recriminação, de incessantes cobranças (ao invés de estímulo) só neurotizam e não trazem melhorias alguma, não evoluem, não amadurecem, só adoecem. Fale de outro modo com seus pais: esta intolerância, esta desonra, este descrédito não aproximam, não geram e não constroem nada, mas somente destroem suas vidas e as nossas também. Fale de outro modo com seus subordinados: esta grosseria só gera stress, não produz nada que valha a pena, não faz qualquer pessoa avançar ou crescer – de que adianta tanta desvalorização? Que mudança trará todas essas acusações e queixas? Nenhuma. Aliás, trará sim, pois as coisas irão piorar e muito. Enfim, atenda aos outros de outro modo, com gentileza, com um pouco de doçura, um sorrisinho nos lábios ao menos, com uma voz menos ríspida e mais amigável. Seja cordato e um pouco mais agradável. Tente fazer isto e você verá, com certeza, que seus dias, neste próximo ano, serão muito mais felizes.

    Sabe por quê? Porque o coração fica em paz quando estamos em paz com os outros, porque não carregaremos nenhuma culpa por termos ofendido ou destratado ninguém, porque teremos sido agentes de promoção dos outros e não de destruição, e isso nos enaltece. A alma se engrandece quando nossa língua é usada para ser abençoadora, promovedora de vida e de paz. Nada pode nos fazer ter um ano melhor. Cuidado, linguinha nossa, com o que fala!

     Mas, além de cuidarmos do que falamos, precisamos atentar para o que fazemos. Ahhhh! Se eu tivesse refletido melhor antes de fazer tanta coisa que fiz. Para que me meti naquele negócio? Para que me envolvi com aquelas pessoas? Por que tinha de fazer isso e aquilo? E, afinal, o que é preciso para fazer melhores escolhas e se envolver com ações mais frutíferas e felizes? Para não me alongar, trato disto depois, ok?

    Até.

    Deixemos de coisas e cuidemos da vida.

    Vandi

Jesus não morreu por uma igreja idiota!

terça-feira, dezembro 1st, 2009

    No último post (“Prosperidade e a Marcha da Idiotia”), falamos sobre os estragos que podem advir a quem centra sua vida na busca pela prosperidade. Minha intenção não foi a de desanimar qualquer pessoa a buscar prosperar na vida – isso seria uma idiotice de minha parte. Somos livres para a busca de uma vida melhor, mas o perigo está em centrar a existência nesta busca e em não se ter o cuidado necessário para evitar que nos tornemos egoístas e avarentos. Mas, vamos ao outro ponto.

    Fiquei muito triste ao assistir ao vídeo que pode ser acessado em http://www.acaoreacao.blogspot.com, no qual um repórter entrevista os participantes da chamada Marcha para Jesus, ocorrida em São Paulo. Nesse vídeo, aparecem pessoas – permita-me lavar a alma – completamente idiotizadas, num oba-oba frenético e ridículo. Depois, assisti a outros vídeos de pastores completamente alucinados em suas pregações, berrando e em tons histéricos tentando levar seu publico a uma emocionalidade descontrolada. Fiquei triste ao pensar sobre a imagem que esses eventos podem trazer sobre a igreja. Sendo franco com o que senti, fiquei envergonhado. Será esta a verdade sobre a igreja: uma igreja sem cérebro, cheia de fanfarronices e presepadas, com líderes histéricos e delirantes? A julgar pelo que vemos por aí, podemos pensar que a igreja evangélica é uma instituição que marcha para o nada, ou pior, marcha para um despenhadeiro onde sua dignidade está despencando em rios de idiotice. Mas …

    … Jesus não morreu para construir uma igreja idiota. Se está idiota  ou não é sua igreja ou, em sendo, ainda tem muito a crescer. Não me tenha por arrogante ou por um juiz algoz mas, pelo pouco que sei, a igreja é de outra natureza, sim: sóbria, amorosa, adorativa e servidora ou misericordiosa.  

    Sabe de uma coisa? Qualquer um de nós pode ficar idiotizado. Não me refiro a uma idiotia como a do Príncipe Michkin, de Dostoiévski, que tinha por trás de sua excessiva bondade uma perspicácia capaz de desvendar a verdade no íntimo dos outros – não! Refiro-me a  uma idiotia vazia, estéril, vil.

    Os caminhos para esta idiotice? Ei-los: aceitar o que nos falam sem consciência crítica ou analítica; seguir tradições e rituais sem discernimento ou bom senso; nos deixarmos levar pela maioria, por falta de conteúdo ou por uma auto-imagem fraca, doente que nos impede de sermos autênticos; sacralizar pessoas e coisas, como se  suas palavras e atos fossem inquestionáveis – quantos têm doado fortunas para ministérios e pastores, desconsiderando todas as acusações, ou até mesmo condenações aplicadas a estes, por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato? Idiotizamo-nos quando nossas paixões arrastam nossas emoções e, por fim, quando não temos uma base sólida para fundamentar nossos pensamentos e atos. Fico muito assustado quando vejo um idiotismo coletivo causado por líderes que reúnem alguns dos itens citados e que arrastam multidões consigo.

    Mas, ora esta: um dos objetivos da igreja não é, justamente, o de fornecer bases bíblicas sólidas para a vida de seus membros? Deus mesmo não quer ser amado com todo o nosso entendimento? O idiota não sabe amar a Deus e nem servi-lo, pois não pode discernir Sua vontade. Não basta coração e força: Deus quer seres pensantes, analíticos, sensatos, transformadores. Não estaria nesta idéia o conceito de protestantismo, gente que protesta por causas justas? Historicamente, não tem sido a fé cristã uma das grandes forças revolucionárias e transformadoras da sociedade e do mundo? 

    O caminho para fugirmos da idiotia começa em conhecermos a Palavra de Deus e, principalmente, o Deus que nela fala. Mas precisamos, com urgência, nos abrir aos saberes que lançam luzes sobre todos nós e sobre a realidade que nos cerca. E, a partir destas bases, olhar todo o mundo a nossa volta com visão crítica, discernente, livre, transformadora. Que o Senhor nos livre, a nós, sua Igreja, de todo idiotismo, de toda estultice, para que existamos para o fim para o qual fomos criados: servir e amar a Deus de todo o coração, de todo entendimento e com todas as forças, e para amar e servir ao próximo. Nada poderia nos amadurecer mais nesta vida.

    Até.

    Deixemos de coisa e cuidemos da vida.

    Vandi