Archive for novembro, 2009

Prosperidade e a Marcha da Idiotia.

quarta-feira, novembro 18th, 2009

    Este post tem duas fontes inspiradoras: a primeira foi a resposta que o Deputado e Bispo Robson Rodovalho deu ao Pr. Renato Vargens à uma carta aberta que este lhe enviara. Se quiser lê-la: (http://renatovargens.blogspot.com/2009/11/prezados-irmaos-segue-abaixo-resposta.html); a segunda fonte foi um vídeo sobre a “Marcha para Jesus” (http://www.acaoreacao.blogspot.com/). Fiquei estupefato e paralisado por alguns minutos diante destes dois episódios. Fiquei triste, muito triste: pensar que a igreja por quem Jesus morreu chegou aonde chegou. De um lado, líderes com pensamentos completamente distantes do espírito e do conteúdo dos evangelhos. Por outro, uma igreja idiotizada, insensata, tola.

    Quanto ao primeiro episódio, Renato, amigo querido, já deu algumas  respostas devidas. Mas quero complementar que um pouquinho de sensatez e de algumas sinapses básicas que revelem um mínimo de conhecimento e honestidade bíblica já seriam suficientes para detonar os pensamentos desta oportunista e mercantilista Teologia da Prosperidade. Quer pensar outras pontos comigo?

    No post intitulado Sucesso que nada! Faço algumas afirmações que gostaria de reaplicá-las aqui. O maior e pior perigo desta vida estressante pela busca do sucesso e da prosperidade é o descambo ocorrido na visão de mundo e na missão de vida: quem centraliza sua vida na busca destas coisas vive para si e desconsidera o serviço ao próximo, não dedica o seu tempo e disposição para ser solidário e prestadio. Afinal, em todo o tempo terá de buscar a prosperidade. Mas Deus nos criou e nos salvou para que nós sirvamos.

    Nossa missão e visão de mundo, como cristãos, estão fora de nós mesmos, estão no outro, estão no amparo, estão na doação, na diaconia, no amor. Centrar-se na busca pela prosperidade nos torna narcisistas, hedonistas, triunfalistas, egoístas, doentes. Contudo, o que busca uma vida simples onde as necessidades são analisadas quanto a sua realidade e são supridas dentro de uma lógica modesta e sóbria, descobrirá tempo para viver muito melhor e para se colocar em disponibilidade para o favor alheio. Na verdade, quem se dispõe a enxergar ao outro para servi-lo, passa a enxergar a vida de modo muito mais altruísta, mas abnegado, suas demandas serão muito mais simples e humildes, pois seus olhares estarão abertos para ver o mundo como um campo que precisa urgente de ajuda e não como um teatro para a realização e satisfação pessoal, como o fazem os da Prosperidade.

    Peço-lhes que leiam duas obras que me ajudaram muito a entender este tema tão relevante: Tive Fome, Série Lausanne 1, ABU e  Cristãos Ricos em Tempos de Fome, de Ronald J. Sider, Sinodal. Se você quer algo mais rápido, assista o que John Piper diz sobre o tema neste link: http://www.youtube.com/watch?v=zdvXqO7aBBo.

    Menos indignado e mais triste fiquei ao assistir ao vídeo. Neste, um repórter entrevista os participantes da chamada “Marcha Para Jesus”. O que pensar dessa igreja revelada por aqueles entrevistados? Sendo franco com o que senti, fiquei envergonhado. Será esta a verdade sobre a igreja? Uma igreja sem cérebro, do oba-oba, cheia de fanfarronices e presepadas? A julgar pelo que vemos no vídeo, podemos pensar que a igreja evangélica é uma igreja que marcha para o nada, ou pior, marcha para um despenhadeiro onde sua dignidade despenca em rios de idiotice. Não, Jesus não morreu por uma igreja idiota. Mas esta é outra questão importante que vou deixar para o post da semana que vem, ok?

    Até,

    Com sensatez, deixemos de coisa e cuidemos da vida.                   

    Vanderley

E se cairmos?

terça-feira, novembro 3rd, 2009

     No último post, vimos que nutrir sentimentos negativos, banalizar a força dos desejos, viver isolado sem compartilhar a vida e não compreender o amor incondicional de Deus podem nos levar à queda. Mas cair é mesmo humano, logo, nenhum de nós está livre disto. E se cairmos? E se nossos desejos romperem nossas resistências? O que fazer quanto aos estragos decorrentes de nossa queda? O drama entre Caim e Abel pode ter algo a nos ensinar.

     Após ter caído, Caim é repreendido por Deus que lhe dá a devida e graciosa disciplina. Esta lição é forte: não há como nos livrarmos das consequências de nossas quedas se não houver repreensão. Este foi o modo amável que Deus usou para manter Caim em sua comunhão. O Senhor nos repreende para não nos afastarmos do senso de Sua doce e amável presença. E mais: repreendidos, poderemos saber que o melhor caminho sempre é o de submetermos nossos desejos à vontade de Deus, que é sempre boa, perfeita e agradável, ainda que, às vezes, seja difícil entendê-la.

     O mais importante é o que faremos com a repreensão. Nossa dignidade se revela menos em nos mantermos sem errar, e muito mais em nossa atitude para com nossas quedas. Temos, então, de nos perguntar como temos reagido diante de nossos próprios erros. Pior que cair é fazer-se cínico, prepotente ou displicente com o erro, é camuflar nossos delitos, dissimular nossa fraqueza. É até mais fácil nos solidarizarmos com os errantes, mas é duro lidar com os que banalizam seus erros. Se houver queda, confessemos, nos humilhemos ante o Senhor e os ofendidos, aceitemos a devida repreensão e sigamos em frente.

     Caim é repreendido, mas ele, diz o texto, “se retira da presença do Senhor”. Sabe de uma coisa? Creio que se Caim tivesse permanecido na presença do Senhor, esse drama teria tido outro final. Talvez a tristeza por sua queda ou o medo do Senhor tenham-lhe causado tal reação. Em todo caso, o mais importante é sabermos que, se houver queda, será exatamente a proximidade do Senhor que nos ajudará a construirmos outra história em relação aos nossos desejos. É a certeza de Seu amor por mim, incondicional amor, que me dará forças para recomeçar. Seu amor nos dá amparo e força. O pior que pode nos acontecer após nossas quedas é nos afastarmos dAquele que pode refazer nossa história, reconstruir nossas vidas. Se houver queda, precisaremos aceitar o amor de Deus, o Seu perdão e não nos deixarmos paralisados por lamentos, culpas ou medos. E isso nos introduz ao último ponto.

     Se cairmos, não deveremos ficar a vida toda no lamento, na culpa, no sofrimento dessa queda, como que pagando de modo interminável pelo delito cometido. Haverá uma hora em que teremos de fazer como Davi, ao saber que seu filho (qual foi mesmo?) havia morrido: tirarmos a cabeça do pó, nos levantarmos e seguirmos. Assim, caiu? Arrependa-se, confesse, aceite a repreensão, mas levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima. Go ahead !

     Até.

     Vanderley

     Sacudida a poeira, deixemos de coisa, cuidemos da vida.