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	<title>Ensaio Puro e Simples</title>
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		<title>Para não mais pular do pináculo.</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 18:13:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para não mais pular do pináculo.
Jesus não quis ser um glorioso padeiro, como vimos no ultimo post, mas uma proposta ainda mais tentadora lhe seria feita pelo tal sujeitinho: &#8220;que tal, ao invés de ter um glorioso negócio, ser você mesmo “o glorioso”? O coisa ruim não se deu por vencido e ofereceu a Jesus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para não mais pular do pináculo.</p>
<p>Jesus não quis ser um glorioso padeiro, como vimos no ultimo post, mas uma proposta ainda mais tentadora lhe seria feita pelo tal sujeitinho: &#8220;que tal, ao invés de ter um glorioso negócio, ser você mesmo “o glorioso”? O <em>coisa ruim</em> não se deu por vencido e ofereceu a Jesus o se tornar “o cara”. Acho que a intenção perversa e sarcástica presente ali era a seguinte: “Imagine só: todas as multidões babando por você, Cristo!” (sujeito coberto de malícia, este!). “Para isto basta que todos vejam o quanto você é poderoso ao ponto de até Deus vir a teu socorro! Pense, Jesus: você sendo aplaudido, ovacionado, levando todos ao delírio com tamanho poder e prestigio. Que espetáculo! Que show! Você pula do cume do templo e Deus envia seus anjos para te apanharem em asas fosforescentes e farfalhantes. Ninguém vai resistir&#8230;”.   </p>
<p>Mas, Jesus responde não. Jesus já sabia ter todo o prestígio possível diante de Seu Pai e quem sabe disso não precisa de espetáculo algum para se mostrar sendo alguma coisa.</p>
<p>Jesus responde ao <em>cupim</em> maldito que não poderia pôr seu Pai à prova, pois o amor do Pai já lhe era absolutamente certo. Jesus rejeita o prestígio das multidões, pois prefere ficar apenas no agrado de Seu Pai.</p>
<p>Precisamos entender esta mensagem de Jesus, pois volta e meia nos mostramos ser pessoas que <em>pulamos do pináculo</em>. Quantas situações nos colocamos atrás de glórias, lutando por prestigio e esperando louvores alheios&#8230; Sejamos sinceros: quantas vezes desejamos ser aclamados e venerados e para isto nos cercamos de um <em>mis en scène fabuleuse </em>só para nos mostrarmos&#8230; Pulamos do pináculo, pois queremos lauréis, louros, triunfos.</p>
<p>Um coração que se percebe incondicionalmente amado pelo Pai, que se sabe valioso, que sabe que a vida acontece e se encontra em sentido quando servimos ao Pai, a seus filhos e a sua criação – um coração assim – não precisa de provas de aprovação, de demonstração de prestígio, de glamour, confetes e galanteios, pois o amor do Pai lhe basta, sua graça lhe basta, sua amizade lhe basta para que se sinta o maior e mais valioso de todos os seres.</p>
<p>Até,</p>
<p>Vandi.</p>
<p>Deixemos de coisa e cuidemos da vida&#8230;</p>
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		<title>Um simples carpinteiro ou um glorioso padeiro?</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 18:23:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era um simples e modesto carpinteiro. Mas era com maestria que fazia suas obras. Cada mesa, cada cadeira, cada artefato feito com o maior dos zelos, com todos os cuidados, com amor. Assim fazia por saber que era para seu pai que o fazia. Não poderia colocar tal nome em risco. Nome como o de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era um simples e modesto carpinteiro. Mas era com maestria que fazia suas obras. Cada mesa, cada cadeira, cada artefato feito com o maior dos zelos, com todos os cuidados, com amor. Assim fazia por saber que era para seu pai que o fazia. Não poderia colocar tal nome em risco. Nome como o de seu pai carece de total respeito e, por amor a este, tudo o que fizesse deveria ser feito com excelência. Mas continuaria a ser um simples e modesto marceneiro.</p>
<p>Certa vez alguém lhe aparece e propõe outro negócio, um grande negócio que mudaria sua vida para sempre. Tal pessoa lhe pergunta se não queria construir uma grande padaria. Na verdade, aceitando tal proposta, ele se tornaria um padeiro glorioso, um miraculoso padeiro e poderia até mesmo alimentar as massas com seus fabulosos pães. Mas o simples carpinteiro rejeita a proposta e o faz com uma resposta precisamente talhada em tábuas imperecíveis: “as pessoas não vivem somente de pão”. Como foi singularmente sábio! Os pães acabam, cedo ou tarde, e não irão satisfazer-nos de nossas principais demandas e estas não estão no ventre, mas na alma.</p>
<p>Se o carpinteiro aceitasse sua nova profissão, não teria mais tempo nem vida para dispor à sua missão de vida. Era um carpinteiro que trabalhava para honrar seu pai, mas acima de tudo o honrava com toda a sua vida. Ele vivia para ser ele mesmo a expressão vívida de tudo o que seu Pai falara. Ele sabia que nas Palavras de seu Pai é que havia vida verdadeira: vida que não cessa, vida que não passa &#8211; Palavras que saciam a alma! Destas as pessoas devem viver e não somente de pão. De que adiantaria uma padaria, por mais gloriosa e majestosa que fosse, se esta lhe seria a armadilha para deixar de viver pela e para as Palavras do Pai?  Ele se envolveria tanto com os negócios que não lhe sobraria tempo e vida para viver o cumprimento da vontade de seu Bondoso Pai.</p>
<p>Jesus é o carpinteiro da história acima e a oferta é aquela que lhe foi feita pelo diabo quando lhe tentou no deserto. Aprendo com esta história que preciso jamais me desviar da missão que sei Deus ter pra mim. Não posso me deixar levar por propostas tentadoras por mais gloriosas que sejam. O que fugir ao que Deus requer de mim deve receber meu não, pois já disse sim as eternas palavras de meu doce e amável Pai.</p>
<p>Lição ainda maior nos traz esta história, pois da fidelidade ao Pai daquele simples carpinteiro brotou toda a esperança, salvação e paz que podemos obter na vida, pois rejeitando a gloriosa padaria, fez-se Ele mesmo o Pão da vida ao fazer-se um com o madeiro sobre o qual foi pregado, mantendo-se fiel até o fim ao seu ofício.</p>
<p>Até.</p>
<p>Vandi.</p>
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		<title>Cafifa o ano inteiro: eu apoio!</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 21:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há pouco meus filhos me falaram de um slogan que eles viram em um adesivo: “pipa o ano inteiro: eu apoio!”. Pipa! Na minha infância chamávamos de cafifa. Era o termo genérico para aquela folha de papel fino que era esticada sobre palhetas de bambu, amarradas em uma linha. Em geral, passávamos cerol na linha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há pouco meus filhos me falaram de um slogan que eles viram em um adesivo: “pipa o ano inteiro: eu apoio!”. Pipa! Na minha infância chamávamos de cafifa. Era o termo genérico para aquela folha de papel fino que era esticada sobre palhetas de bambu, amarradas em uma linha. Em geral, passávamos cerol na linha – uma mistura de cola de madeira derretida com pó de vidro bem moído &#8211; sem o qual não via graça nenhuma em soltar cafifa. Ficava um dia inteiro envolvido com elas. O termo era “pôr no alto”. Que delícia! Correr atrás da cafifa torada ou voada (com a linha cortada por outro), arrastar a linha dos outros&#8230; Mas nada era mais apaixonante do que laçar ou torar (cruzar a linha de minha pipa com a de outro no alto) e cortar alguém. Ainda hoje adoro ver uma boa tora. Paixão mesmo. Dormia com elas na cama e sonhava várias vezes que eu mesmo era uma, mas sem nenhuma linha presa. Como eu era louco por cafifas!</p>
<p>Comecei a pensar no quanto este inocente objeto marcou minha vida. Sempre que falamos de coisas ou pessoas que nos marcaram pensamos em um grande autor ou um personagem relevante, mas sem querer decepcionar ninguém, devo ser sincero em dizer que foi este objeto banal, mas do qual jamais irei me esquecer &#8211; a cafifa &#8211; que me marcou, mesmo!</p>
<p>A última vez que soltei uma cafifa em minha adolescência foi emblemática. Tinha uma garota que foi morar na minha rua, perto de minha casa, e que eu gostava, mas ela nunca soube, como ocorreu com várias. Estava eu no telhado de minha casa, deliciando-me com as toras, até que ela chega e eu num ato impensado, me escondi. Tive vergonha da cafifa. Não queria que ela – a menina &#8211; pensasse que eu ainda fazia estas coisas de crianças ou adolescentes irresponsáveis. Meu coração bateu forte à beça. Ela não me viu soltando cafifa e nem veria mais, pois por alguma razão imbecil, achei que seria a hora de parar e parei.</p>
<p>Ainda não sei direito o que aprendo com a cafifa, mas ela virou um paradigma: quando quero saber se algo está me apaixonando penso se está gerando em mim o que a cafifa me gerava. Ela tornou-se minha referencia passional e visionária. O que quero dizer é que não posso lançar minha vida em algo que não me desperte paixão e entusiasmo. Pra levar minha energia, meu vigor e meu tempo tem que fazer comigo algo ao menos próximo do que a cafifa fazia. É neste sentido que eu também quero “cafifa o ano inteiro”. Algo simples que me impulsione, me motive, me apaixone a cada dia. Graças a Deus, tenho algumas novas cafifas em minha vida. Não são novos brinquedinhos. Antes, são coisas bem sérias, mas igualmente apaixonantes e vibrantes.</p>
<p>Não sei como algumas pessoas lançam suas vidas em coisas que não lhes emociona, não lhes apaixona, não lhes faz vibrar, não lhes dão vida e sabor. Como viver para algo, como se dedicar a algo que não nos faz sentir que a vida é mesmo uma maravilha, que não traz alegria&#8230; Sim, eu quero cafifa o ano inteirinho. Agora mesmo estou indo colocar uma destas novas cafifas no alto. Que delicia! Vamos, ponha a tua no alto! Você tem uma , não?</p>
<p>Até.</p>
<p>Deixemos de coisas e cuidemos da vida&#8230;</p>
<p>Vandi</p>
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		<title>Vê se te enxerga&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 21:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[          Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. Como é fácil perceber os erros nos outros, mas em nós mesmos&#8230;    
          Mas o ensinamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>          Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. Como é fácil perceber os erros nos outros, mas em nós mesmos&#8230;    </p>
<p>          Mas o ensinamento de Jesus, citado acima, nos deixa claro que precisamos reconhecer nossas próprias fraquezas antes de apontar as dos outros. Acho que Jesus, em outras palavras, estava nos ensinando: “sujeitinho, antes de falar de alguém: vê se te enxerga!”</p>
<p>          Quando reconheço minhas fraquezas faço-me autorizado diante do outro para lhe falar sobre suas questões. Enquanto não faço isso assumo uma postura julgadora e prepotente o que impede ao outro de me ouvir. Se não reconhecermos as fraquezas, não existirá energia ou ímpeto para levar uma pessoa a se mobilizar para mudanças. Em uma relação se uma das partes nega seus defeitos desde o começo, não haverá razão para o outro tentar reconhecer os seus e desenvolver novas e mais saudáveis posturas. É muito mais fácil se doar a alguém que abriu mão do orgulho e se dispôs a reconhecer o ruim dentro de si mesmo. Experimente fazer assim se quiser melhorar sua relação com alguém que você esta tendo dificuldades!</p>
<p>          Até porque, quem precisa ser invulnerável se mostrando ser sempre competente e seguro de si mesmo, não conseguirá observar fraquezas escondidas colocando na condição de se mostrar mais forte e perfeito ainda – nunca irá crescer &#8211; e seus conflitos não serão processados. Assim, se meu próximo – seja um cônjuge, um amigo, um parente ou colega de trabalho &#8211; não perceber meus esforços para mudar, ele também se enrijecerá. Mas, ao contrário, se nos mostrarmos dispostos à mudança abriremos caminho para que o outro aceite nossa ajuda e busque sua própria mudança.</p>
<p>          Se por um lado enxergar as próprias fraquezas permite ao outro que eu o ajude, o outro, por outro lado, se não admitir suas fraquezas, pode dificultar meu auto-exame ou mesmo dificultar a resolução de conflitos. Ligado a isto está o fato de que se uma parte que se considere afetada não conseguir processar a ofensa concedendo perdão, isto irá estagnar ou estragar ainda mais a relação. Ou zeramos os sentimentos de mágoa e ressentimentos ou tornaremos nossa relação cada vez mais desprazerosa e infeliz. Ás vezes é justamente a parte que se sente afetada que terá de se mobilizar, optando pelo perdão, aceitando ao outro sem impor-lhe acusações constantes, dando a si mesmo e ao outro a oportunidade de recomeçar tudo de novo.</p>
<p>          Por fim, somente quando reconheço a minha própria parte nos conflitos relacionais é que me torno capaz de avaliar corretamente a situação. Só enxerga a realidade com clareza quem não se exclui dela. Só posso ajudar ao outro se antes procurei ajuda pra mim mesmo, primeiro reconhecendo os meus desajustes e desacertos e, depois, tentando me tratar para processá-los e resolvê-los. É necessário humildade para isto, por isso devemos estar dispostos a nos livrar de nossa arrogância, deste orgulho destruidor, posto que não nos possibilita transformarmos a vida, não nos deixa restaurar o prazer de viver em comunhão, antes só o destrói.</p>
<p>          Em resumo: se eu me enxergar vou facilitar que você aceite o que eu enxergo em você e se você se enxergar vai facilitar que eu aceite o que você vê em mim e todos veremos com clareza a verdade entre nós e sobre nós.</p>
<p>          Estas atitudes poderão nos ajudar a construir relações mais saudáveis. Leve-as muito a sério, pois foram inspiradas nas palavras de Jesus (Mateus capitulo 7, versos de 1 a 5).</p>
<p>         Até.</p>
<p>         Deixemos de coisa cuidemos da vida.</p>
<p>         Vandi</p>
<p>PS. Zanza, que festança, hein? Parabéns, amiga.</p>
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		<title>Esta insuportável verdade!</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 18:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[       Há muito tempo não ouço uma boa e dura verdade sobre mim. Por que será?  Não tenho dado motivos para ouvir nada? Não, creio que meus amigos não me dizem algumas verdades pela mesma razão que faz com que eu não lhes diga tantas outras. Que desastre ocorreria se começasse a dizer todas as verdades [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>       Há muito tempo não ouço uma boa e dura verdade sobre mim. Por que será?  Não tenho dado motivos para ouvir nada? Não, creio que meus amigos não me dizem algumas verdades pela mesma razão que faz com que eu não lhes diga tantas outras. Que desastre ocorreria se começasse a dizer todas as verdades que penso! Mesmo dizendo da melhor forma, com amor, com jeitinho e tal&#8230; Há verdades bombásticas por si mesmas. Veja se não é verdade isto.</p>
<p>       Imagine você se tivesse amigos narcisistas&#8230; Sim, aqueles tipos extremamente vaidosos que pensam que todo o universo gira em torno de seus umbigos. Se você lhes dissesse sobre sua “umbiguidade”, creio eu, teriam dificuldade em continuar seus amigos. Se alguém me dissesse isso, eu acharia que é um recalcado qualquer.</p>
<p>       E se tivesse amigos mentirosos? Dentre estes, há os que acreditam em suas próprias mentiras e os que mentem pra manterem uma boa imagem ou uma boa política de relacionamento. Seria mais próprio chamar-lhes de falsos. Sim, é possível ter amigos falsos. Já pensou se lhes disséssemos: “Cara: você é muito falso. Este seu abraço é falso. Seu sorriso é falso. Sua amizade é falsa”. Eu, se ouvisse isso, me viraria e nunca mais olharia pra este sujeitinho arrogante.</p>
<p>       Você tem amigos burros, amigos imbecis, idiotas? É melhor que jamais saibam disso por seu intermédio. Espero que jamais me digam isto: não tenho esta maturidade também. Deixem-me com minhas burrices, imbecilidades e idiotices, mas, acima de tudo, deixem-me continuar sendo seus amigos.</p>
<p>       Amigos políticos: estes são amigos, não? Não discuto políticos.</p>
<p>       Se os amigos forem do tipo legalista, religiosos ao extremo e que pensam que são santos e tão somente fiéis, mas não passam de fariseus? Não lhes falemos isso, pois, além de nada adiantar, será chato às pampas o que eles vão falar da gente por aí. </p>
<p>       Como se diz para os amigos feios, desajeitados, esquisitos que eles são feios, desajeitados e esquisitos? Se lhes dissermos isso, pulam da ponte. Se bem que isso eu já ouvi. Não pulei da ponte, mas agarrei no pescoço do sujeito e quase o matei.</p>
<p>       E os amigos que roncam, que roncam muito, mas muito alto mesmo? Ou que têm mau hálito ou ainda  não usam desodorante? Como dizer essas coisas a um amigo, sem lhe ofender ou magoar? Conquanto eu ache desonesto ver um amigo com feijão no dente ou com meleca no nariz e não lhe dizer nada&#8230; Mas, como reagirão a tal revelação?</p>
<p>       Tenho amigos traíras, que não são amigos, mas é melhor que pensem que são.</p>
<p>       Viram? A verdade pode, sim, ser desastrosamente insuportável. Não é toda verdade que liberta. É por isso que não podemos dizer tudo o que sentimos e pensamos. Isto seria uma transparência perigosa e talvez até homicida. Mas devo ter a certeza de que tudo o que eu disser seja verdade. O verdadeiro não diz tudo o que pensa, mas o que diz é verdade. O transparente diz tudo o que pensa, mas nem sempre é a verdade.</p>
<p>       Talvez não sejamos bons amigos &#8211; entenda-se: profunda, real e incondicional amizade. Sim, a verdade: quem a pode suportar? É por essa razão que Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. No próximo, eu falo mais sobre isso. De verdade!</p>
<p>       Até,</p>
<p>       Vandi</p>
<p>       Deixemos de coisa e cuidemos da vida.</p>
<p>PS. <em>Madruga: Parabéns! Você é um amigo dos melhores que se pode ter</em>. (Alguém transmita isso pra ele, pois ele não lê meus <em>posts</em>. Fui transparente?)</p>
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		<title>A vida em cinco minutos.</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 23:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[     Mas tudo começou em uma cerimônia fúnebre. Pode prosseguir a leitura, pois vou tentar fugir de qualquer tom lúgubre a que o episódio, por si só, nos remeta. Acontece que lá aconteceram coisas interessantes à beça.
     Quero falar de uma delas que foi a pergunta que o dirigente do cerimonial – meu querido amigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>     Mas tudo começou em uma cerimônia fúnebre. Pode prosseguir a leitura, pois vou tentar fugir de qualquer tom lúgubre a que o episódio, por si só, nos remeta. Acontece que lá aconteceram coisas interessantes à beça.</p>
<p>     Quero falar de uma delas que foi a pergunta que o dirigente do cerimonial – meu querido amigo Jô &#8211; fez: “imaginem se ela tivesse a permissão de Deus para voltar aqui por cinco minutos e nos falar alguma coisa”. Minha mente viajou e nem me lembro do que meu amigo disse após. Não pensei nela, mas no que eu falaria e no que eu faria. O que se pode falar nos cinco minutos reiniciais e finais da vida? </p>
<p>     Fiquei numa ansiedade enorme tentando escolher as melhores palavras. Afinal, seriam apenas cinco minutos com meus amados amigos e familiares. O que eu diria? Falaria sobre como é o céu, que lá é bom demais, que Jesus é lindo e lá só tem coisa boa? Eu só teria cinco minutos, meu Deus&#8230; O que se pode dizer de tão especial em um tempo tão curto? Será que eu falaria o quanto me senti amado por Jesus que não me cobrou absolutamente nada e só me deu boas vindas com um imenso sorriso? Isto poderia fazer meus chorosos amigos entenderem que Deus ama amar a gente e só quer que a gente experimente este amor a cada instante. Alguém já disse isto, eu sei, mas ama a Deus e vive! Gente: é só isso.</p>
<p>     Não sei o que diria se eu voltasse do céu&#8230; Não sei. Acho que eu ficaria ansioso em ver que o meu tempo estaria acabando e iria aproveitar para dar um último e apertadíssimo abraço em todos; talvez gastasse todo o curto tempo somente com minha família. Talvez não dissesse nada. Talvez me fingisse de morto por cinco minutos pra não assustar ninguém e só esperasse o retorno. Talvez falasse estas coisas acima&#8230;</p>
<p>     Mas, enquanto estou do lado de cá, tento viver algo do céu por aqui e o melhor de lá que podemos ter aqui é o amor de Deus e outros amores como os amigos e a família. Mas tento também trazer um pouquinho do céu aos outros, tentando deixar que este amor de Jesus vaze por meio de minha vida que, no fundo, no fundo, não passa de breves cinco minutos. Foi como a Liv, em cinco segundos, resumiu tão bem este texto: “Vandi, a vida não passa mesmo de cinco minutos&#8230;”</p>
<p>     A pergunta do meu amigo acima, na verdade, deveria nos fazer pensar no que vamos fazer nos próximos cinco minutos que ainda temos. Esteja certo: é este o tempo que a vida dura: “Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito” (Jó). É sim: a vida não passa de cinco minutos&#8230; E olha que dá para viver à beça neste tempo!</p>
<p>     Deixem-me terminar por aqui, pois tenho a minha frente cinco maravilhosos minutos pra viver e eu não tenho dúvidas do que vou fazer neles.</p>
<p>     Até.</p>
<p>     Deixemos de coisa e cuidemos da vida&#8230;</p>
<p>     Vandi</p>
<p>     PS: Lauren, minha valiosa amiga: Parabéns!</p>
<p>     Em tempo: Estou do Facebook. Se quiser me add: Luiz Vanderley Lima.</p>
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		<title>“Senta aqui, senhor!”</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 18:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
Há cerca de duas semanas passei uma experiência inusitada. Pela primeira vez, uma adolescente cedeu-me seu lugar no ônibus. Vendo-a levantar-se já me falando: “senta aqui, senhor!”, nem tive a chance de negar. Ela marcou a minha vida. Sim, sou mesmo um senhor para quem os jovens já se levantam. Como soa estranho afirmar isso. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Há cerca de duas semanas passei uma experiência inusitada. Pela primeira vez, uma adolescente cedeu-me seu lugar no ônibus. Vendo-a levantar-se já me falando: “senta aqui, senhor!”, nem tive a chance de negar. Ela marcou a minha vida. Sim, sou mesmo um senhor para quem os jovens já se levantam. Como soa estranho afirmar isso. Até ontem mesmo, eu me via na posição de um-dos-que-devem-se-levantar, mas agora sou um-daqueles-para-quem-se-levanta. A educada donzela (deixem-me assumir-me de vez!) ficou em pé ao meu lado durante um tempo. Algumas paradas depois, o lugar ao meu lado ficou vago. Eis o diálogo que se travou: “Olha, menina, você marcou a minha vida. Esta foi a primeira vez que alguém me cedeu o lugar. Por um lado, fico feliz em ver que ainda temos gente educada. Mas, por outro, vejo que ultrapassei mesmo o limiar da juventude. Agora, acaba de se inaugurar este tempo em minha vida: Sou um senhor-para-quem-se-deve-levantar. Eu nunca mais vou esquecer você. Você marcou a minha vida pra sempre”. Bem, ela não me respondeu nada, pois todo esse diálogo se travou apenas em minha mente. Não tive coragem de lhe falar nada disso, pois alguns destes senhores-para-quem-se-deve-levantar não passam de velhos assanhados. Fiquei com medo de ela pensar que eu era um desses. Ela só quis ser educada e ceder seu lugar a mim. Acho que fiz bem em não lhe falar nada. Mas, esse episódio foi um divisor de eras, de ciclos. Agora não me olho mais do mesmo modo no espelho.</p>
<p>Também não vejo mais a minha vida da mesma forma. Afinal de contas, estou na outra metade da vida. Acho que já estava há um bom tempo, mas só agora percebi de modo inquestionável. Não pensei em tirar a branca barba, nem em usar roupas mais joviais (caramba! Tô parecendo um velho!). Não pensei em mudar o cabelo. Pode ser que, daqui a uns anos, eu até queira fazer essas coisas, mas agora não. Apenas comecei a pensar no que fiz da minha vida até aqui. Ainda bem que, logo, logo, achei melhor pensar não no quê, mas, no como tenho vivido até aqui e concluí que foi acreditando e gostando &#8211; fiz com verdade. Errando à beça, mas “fui indo” e, às vezes, “fui voltando”, caminhando e seguindo minhas canções.</p>
<p>Falando em canções, lembro-me de uma frase de minha querida amiga, Wanda Sá: “É Vander (ela nunca me chamou de Vandi), esse pessoal me mete o pau&#8230; Mas eu tô aí, caminhando com Jesus, devagarzinho, enquanto vários deles já saíram do páreo”. Devo muito a Wanda, pois foi uma das pessoas que me ensinou a caminhar com Jesus desreligiosamente, sem falar no Madruga, na Lauren, no Robin, no Antônio, no&#8230; Pois é! Lembrei de amigos queridos, lembrei de histórias gargalhantes, lembrei que o que importa é continuar vivendo, indo-voltando-indo. E sobre cada hífen, entremeando cada momento: saboreando a convivência com a Liv, o êxtase de estar com Tequinho, Isabelle e João Pedro (e o Muleki, claro!). Lembrei ainda de, simplesmente, continuar na luta por meus sonhos e projetos atuais. Nada disto seria verdade se hoje eu não fosse um destes senhores-para-quem-se-deve-levantar.  Tá valendo e muito!        </p>
<p>Até,</p>
<p>Vandi.</p>
<p>Deixemos de coisas e cuidemos da vida.</p>
<p>PS. Antônio e Meise: Parabéns, amigos!</p>
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		<title>O amanhã cuidará de si mesmo! (Jesus)</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 21:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[          Uma palavra, uma rápida reflexão, alguns provérbios e um poema.
          Indefectível: a tragédia pode estar logo ali, em algum lugar, e pode acontecer bem pertinho da gente e – resistindo à vontade insana de bater na madeira – devemos aceitar e dizer: pode, sim, acontecer até mesmo com a gente (sai pra lá&#8230;). Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>          Uma palavra, uma rápida reflexão, alguns provérbios e um poema.</p>
<p>          Indefectível: a tragédia pode estar logo ali, em algum lugar, e pode acontecer bem pertinho da gente e – resistindo à vontade insana de bater na madeira – devemos aceitar e dizer: pode, sim, acontecer até mesmo com a gente (sai pra lá&#8230;). Não adianta: ela está ali. Não sabemos onde ao certo e nem adianta procurar ou achar que algo irá nos imunizar a ela: a tragédia &#8211; o fato funesto enquanto uma surpresa medonha &#8211; pode estar ali na frente. Mas, agora que você leu isto, siga o meu conselho: esqueça! Sim, isto mesmo! Viva simplesmente o que esta diante de você agora. O amanhã cuidará de si mesmo. Mas viva da melhor maneira, com toda intensidade. Afinal, Deus, que é amor, está do nosso lado.</p>
<p>          Preciso saber sobre esta versão da vida onde a tragédia é iminente para não me revoltar contra Deus ou ninguém se ela me aparecer. Mas, em prol de uma vida saudável e feliz e, menos que isto, em prol de simplesmente seguir adiante, não devo deixar minha mente estacionar na possibilidade do trágico. Tais pensamentos devem ser interrompidos, pois pouca coisa tira-nos tanto a energia de vida como pensar o pior que pode estar logo ali. É este o sentido da frase dita por Jesus e que intitulou este post.</p>
<p>          Gostaria de concluir tudo isto com alguns provérbios inventados: “Se a manga vai virar um caroço, o que importa é ter curtido o seu sulco”, “Se a chuva melar a praia será ótimo jogar imagem e ação com as crianças”, “Se não chegar lá, valeu ter tentado dando gargalhadas”, “Se no fim não sobrar nada ou ninguém, a vida valerá pela água, pelo pão, pelo abraço, pelo riso que doamos”.</p>
<p>          Mas ainda falta o poema, não é?  </p>
<p style="text-align: center;"><em>“Eu fico com a pureza das respostas das crianças:<br />
É a vida! É bonita e é bonita!<br />
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,<br />
Cantar,<br />
A beleza de ser um eterno aprendiz<br />
Eu sei<br />
Que a vida devia ser bem melhor e será,<br />
Mas isso não impede que eu repita:<br />
É bonita, é bonita e é bonita!</em></p>
<p style="text-align: center;">(Gonzaguinha)</p>
<p> </p>
<p>Até,</p>
<p>Vandi</p>
<p>Deixemos de coisa e cuidemos da vida&#8230;</p>
<p>(Gente lá de casa: hoje é dia de pipoca e filminho com todo mundo debaixo do edredom, tá?)</p>
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		<title>Os pobres e a tragédia no escanteio.</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 22:31:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[     Há ainda um soluço contumaz, expressão de um sofrimento nostálgico, de uma dor que se prolonga em uma penumbrosa quietude. Penso naqueles afetados de modo funesto pela tragédia que houve em Niterói, minha cidade natal, e que precisam enfrentar a dor de ausências tão amadas e de se recobrirem de forças para continuar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>     Há ainda um soluço contumaz, expressão de um sofrimento nostálgico, de uma dor que se prolonga em uma penumbrosa quietude. Penso naqueles afetados de modo funesto pela tragédia que houve em Niterói, minha cidade natal, e que precisam enfrentar a dor de ausências tão amadas e de se recobrirem de forças para continuar a vida, agora árdua e, se não sem, com pouca graça.</p>
<p>     Resolvi falar sobre isto, pois sei o poder que a lista do Dunga exercerá sobre nossa nação roubando a atenção de todos e deixando a tragédia para um escanteio que ninguém quererá bater. Os que sofreram a tragédia estão à procura de vozes que falem com eles e por eles, pois a paixão nacional já se desponta – o pé já está no ponto do chute – e já se vê todo o embevecimento que uma bola, 22 pés e um quadrado verde causam. Mas, quero convidá-los a entrarem em outro campo comigo: que graça pode ter uma copa se todas as partes de uma casa se foram com todos os que ali jogavam, brincavam e torciam&#8230;</p>
<p>     Então, quero falar da tragédia, ainda que saiba do risco de muitos já estarem cansados do tema e, por isso, serão tentados a pararem por aqui a leitura. Tente prosseguir e você verá que, na verdade, não irei falar de tragédia, mas de esperanças&#8230;</p>
<p>     Sei que algumas casas foram doadas e alguns receberam um aluguel social. Sei ainda de muitas doações feitas e até grandes quantias foram destinadas à cidade pelo governo. Ainda assim tenho algumas inquietações. Uma delas é quanto esta terrível desconfiança de que o dinheiro e demais doações destinados ao município serão bem administrados. Como eu gostaria de acreditar nisto, mas não acredito. Há uma história – nefasta e revoltante &#8211; por trás destes homens públicos que não nos deixa confiar neles. Seus narizes estão por demais ocupados em alucinações e desvarios e suas mãos tão sujas de uma lama invisível que não podem mesmo serem vistos como íntegros. A cidade está falida. A vida está em derrocada e se torna inviável, pois a confiabilidade social e política estão solapadas. Este sim é um jogo sujo!</p>
<p>     Ainda me inquieta algo que tenho aprendido: o pobre, o miserável é invisível. Como nós, que vivemos sobre os firmes alicerces de nosso comodismo, não fomos capazes de enxergar tão anunciante tragédia? Estava tudo ali: os pobres em suas frágeis casas &#8211; os pobres sem ter outro lugar para ir não poderiam mesmo prever sua tragédia e, em prevendo, só lhes restaria a outra tragédia de não ter para onde ir. Mas nós, como não vimos? E o pior: temo que já estejam voltando a ficarem invisíveis mesmo ainda estando ali – os pobres &#8211; diante de nós, ao lado de nosso campo.</p>
<p>     Também me inquieta esta solidariedade que brota somente na tragédia. Uma solidariedade episódica pode não passar de um esvaziar de despensas e guarda roupas&#8230; Mas, solidariedade é outra coisa: é chorar junto, é estar junto e continuar junto, é sofrer com e manter segura a mão do que sofre. A doação pode ser um bom começo, mas é pouco. As coisas acabam e precisam ser repostas e a dor, que não acaba, precisa continuamente ser amparada, precisa de ombro &#8211; uma escora que permite a vida prevalecer nas avalanches. Sim, é fácil doar, pois alivia a consciência e nos orgulhamos de nós mesmos quando fazemos isto, mas não irá resolver de fato. O pobre continuará invisível ou talvez até tenha uma visibilidade indesejável quando o que se espera é sua invisibilidade.</p>
<p>     Ser solidário tem ainda outro lado: é emprestar-lhes – aos pobres, calados por sua própria condição &#8211; nossa voz, nosso brado, nosso grito, nossa revolta, nosso protesto. Assim, ser solidário não é fazer doação, mas antes, é adoção. Adotar os que carecem de acolhimento. Somos-lhes solidários se brigamos por eles junto ao poder público, se deixamos claro a este que não terá mais o nosso voto, que este será anulado enquanto não encontrarmos alguém que o honre trazendo dignidade aos que não a tem. Seremos solidários se soubermos forçar as autoridades constituídas a serem justas no cumprimento da lei colocando a todos ao abrigo de suas necessidades. Temos de ir às ruas, brigar, gritar, reclamar, fiscalizar o poder público, votar com consciência e cobrar suas ações. Estes, os que votamos, devem saber de nossa decisão: ‘Vamos ficar de olho em vocês: Prefeito, Prefeitinhos, Secretários e que tais. Queremos saber o que farão com nosso dinheiro – o dinheiro público &#8211; onde gastarão, com quem, de que forma. Temos direito a esta prestação de contas e vocês terão de nos dar’. Disse que falaria de esperanças.</p>
<p>     Minhas esperanças são estas, então: que sejamos mais sérios e criteriosos na escolha de nossos governantes. Esta casta espúria há de ceder lugar a gente honesta e capaz. Ainda espero ver os pobres e necessitados sendo vistos ali, onde estão para serem dignificados. Vê-los ou não é uma escolha e atendê-los é o que definirá o quanto valemos nesta vida. Se não vê-los coloca-os em pleno desvalor, coloca-nos a nós, os cegos, no rol dos desprezíveis.</p>
<p>Minha esperança final é que este simples texto nos torne, a mim e a você,  pessoas um pouco melhores em nossas visões e escolhas.</p>
<p>Até.</p>
<p>Vandi</p>
<p>Deixemos de coisas e cuidemos da vida (da nossa e dos que precisam).</p>
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		<title>Que diferença faria se você não existisse?</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 20:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[   Fiz-me essa pergunta há poucos dias e, tão logo a fiz, vi que poderia respondê-la em duas direções.
   A primeira é no sentido de: que diferença faria pra mim mesmo, o que teria perdido e não teria vivido? Logo pensei em minha esposa e filhos. O sentimento que me veio foi de um grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>   Fiz-me essa pergunta há poucos dias e, tão logo a fiz, vi que poderia respondê-la em duas direções.</p>
<p>   A primeira é no sentido de: que diferença faria pra mim mesmo, o que teria perdido e não teria vivido? Logo pensei em minha esposa e filhos. O sentimento que me veio foi de um grande alívio, pois, afinal, eles são a riqueza de minha vida. Mas não continuei por este caminho e logo pensei na outra direção: que diferença eu tenho feito na vida de outras pessoas? Da mesma forma, logo pensei na minha família, mas percebi que a questão, para ser respondida de forma honesta e profunda, deveria ser estendida para fora de minha casa. Assim, a questão mesmo é esta: se eu não tivesse nascido, que diferença isto faria na vida de outras pessoas para além do meu convívio familiar? Não sei quanto a você, mas essa questão pode nos deixar bastante deprê, arrasados, desanimados, pois talvez nossa performance solidária &#8211; tendo este como um dos fatores que nos ajudam a responder positivamente a questão -  não seja das mais louváveis. Então, também achei melhor não ficar muito tempo nessa direção e preferi pegar outro rumo: que diferença eu posso começar a fazer na vida de outras pessoas? Agora, sim, um novo céu se abre diante de nós. Um mundo de oportunidades-de-atribuição-de-sentido se descortina à nossa frente.</p>
<p>   Vou lhe dizer como sinto, de coração, que podemos fazer diferença: olhe ao outro, fale com ele, lhe dê atenção de modo a deixar claro que ele tem um grande valor, que ele merece respeito, que ele, este outro, quem quer que seja, é amado por você, ou, se não tanto, respeitado. Isso pode ser traduzido em um sorriso, em um tempo que paramos para ouvir ao outro, em termos mais paciência com seus erros, como o que consideramos que sejam suas “burrices” e, até mesmo, mais tolerância com sua estupidez e arrogância (como é bom e terapêutico vermos nossa burrice, estupidez e arrogância serem tratadas com paciência).  Mas também pode ser traduzido quando dedicamos algo de nossas vidas para o bem alheio, quando nos doamos e não vivemos somente para nós mesmos, quando nos solidarizamos com os sofridos haitianos ou etíopes, ou com as vítimas de enchentes, com os que sofrem, enfim. Essas coisas fazem-nos diferentes, pois nos humanizam.</p>
<p>   Penso que a vida é muito mais confortável e tranquila quando não pensamos nessas coisas, quando não estamos nem aí se faremos essa diferença ou não. Mas uma certeza podemos ter também: nenhum de nós nasceu para passar pela vida sem deixar ao menos uma boa marca na vida alheia. Não precisamos ser mártires, nem pensarmos em ações nacionalmente revolucionárias, mas, quem sabe, cada dia uma diferença. Já escolheu a sua de hoje? </p>
<p>   Até,</p>
<p>   Vandi</p>
<p>   Deixemos de coisa, cuidemos da vida.</p>
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