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Para não mais pular do pináculo.

sexta-feira, setembro 3rd, 2010

Para não mais pular do pináculo.

Jesus não quis ser um glorioso padeiro, como vimos no ultimo post, mas uma proposta ainda mais tentadora lhe seria feita pelo tal sujeitinho: “que tal, ao invés de ter um glorioso negócio, ser você mesmo “o glorioso”? O coisa ruim não se deu por vencido e ofereceu a Jesus o se tornar “o cara”. Acho que a intenção perversa e sarcástica presente ali era a seguinte: “Imagine só: todas as multidões babando por você, Cristo!” (sujeito coberto de malícia, este!). “Para isto basta que todos vejam o quanto você é poderoso ao ponto de até Deus vir a teu socorro! Pense, Jesus: você sendo aplaudido, ovacionado, levando todos ao delírio com tamanho poder e prestigio. Que espetáculo! Que show! Você pula do cume do templo e Deus envia seus anjos para te apanharem em asas fosforescentes e farfalhantes. Ninguém vai resistir…”.   

Mas, Jesus responde não. Jesus já sabia ter todo o prestígio possível diante de Seu Pai e quem sabe disso não precisa de espetáculo algum para se mostrar sendo alguma coisa.

Jesus responde ao cupim maldito que não poderia pôr seu Pai à prova, pois o amor do Pai já lhe era absolutamente certo. Jesus rejeita o prestígio das multidões, pois prefere ficar apenas no agrado de Seu Pai.

Precisamos entender esta mensagem de Jesus, pois volta e meia nos mostramos ser pessoas que pulamos do pináculo. Quantas situações nos colocamos atrás de glórias, lutando por prestigio e esperando louvores alheios… Sejamos sinceros: quantas vezes desejamos ser aclamados e venerados e para isto nos cercamos de um mis en scène fabuleuse só para nos mostrarmos… Pulamos do pináculo, pois queremos lauréis, louros, triunfos.

Um coração que se percebe incondicionalmente amado pelo Pai, que se sabe valioso, que sabe que a vida acontece e se encontra em sentido quando servimos ao Pai, a seus filhos e a sua criação – um coração assim – não precisa de provas de aprovação, de demonstração de prestígio, de glamour, confetes e galanteios, pois o amor do Pai lhe basta, sua graça lhe basta, sua amizade lhe basta para que se sinta o maior e mais valioso de todos os seres.

Até,

Vandi.

Deixemos de coisa e cuidemos da vida…

Um simples carpinteiro ou um glorioso padeiro?

terça-feira, agosto 24th, 2010

Era um simples e modesto carpinteiro. Mas era com maestria que fazia suas obras. Cada mesa, cada cadeira, cada artefato feito com o maior dos zelos, com todos os cuidados, com amor. Assim fazia por saber que era para seu pai que o fazia. Não poderia colocar tal nome em risco. Nome como o de seu pai carece de total respeito e, por amor a este, tudo o que fizesse deveria ser feito com excelência. Mas continuaria a ser um simples e modesto marceneiro.

Certa vez alguém lhe aparece e propõe outro negócio, um grande negócio que mudaria sua vida para sempre. Tal pessoa lhe pergunta se não queria construir uma grande padaria. Na verdade, aceitando tal proposta, ele se tornaria um padeiro glorioso, um miraculoso padeiro e poderia até mesmo alimentar as massas com seus fabulosos pães. Mas o simples carpinteiro rejeita a proposta e o faz com uma resposta precisamente talhada em tábuas imperecíveis: “as pessoas não vivem somente de pão”. Como foi singularmente sábio! Os pães acabam, cedo ou tarde, e não irão satisfazer-nos de nossas principais demandas e estas não estão no ventre, mas na alma.

Se o carpinteiro aceitasse sua nova profissão, não teria mais tempo nem vida para dispor à sua missão de vida. Era um carpinteiro que trabalhava para honrar seu pai, mas acima de tudo o honrava com toda a sua vida. Ele vivia para ser ele mesmo a expressão vívida de tudo o que seu Pai falara. Ele sabia que nas Palavras de seu Pai é que havia vida verdadeira: vida que não cessa, vida que não passa – Palavras que saciam a alma! Destas as pessoas devem viver e não somente de pão. De que adiantaria uma padaria, por mais gloriosa e majestosa que fosse, se esta lhe seria a armadilha para deixar de viver pela e para as Palavras do Pai?  Ele se envolveria tanto com os negócios que não lhe sobraria tempo e vida para viver o cumprimento da vontade de seu Bondoso Pai.

Jesus é o carpinteiro da história acima e a oferta é aquela que lhe foi feita pelo diabo quando lhe tentou no deserto. Aprendo com esta história que preciso jamais me desviar da missão que sei Deus ter pra mim. Não posso me deixar levar por propostas tentadoras por mais gloriosas que sejam. O que fugir ao que Deus requer de mim deve receber meu não, pois já disse sim as eternas palavras de meu doce e amável Pai.

Lição ainda maior nos traz esta história, pois da fidelidade ao Pai daquele simples carpinteiro brotou toda a esperança, salvação e paz que podemos obter na vida, pois rejeitando a gloriosa padaria, fez-se Ele mesmo o Pão da vida ao fazer-se um com o madeiro sobre o qual foi pregado, mantendo-se fiel até o fim ao seu ofício.

Até.

Vandi.

Cafifa o ano inteiro: eu apoio!

segunda-feira, agosto 9th, 2010

Há pouco meus filhos me falaram de um slogan que eles viram em um adesivo: “pipa o ano inteiro: eu apoio!”. Pipa! Na minha infância chamávamos de cafifa. Era o termo genérico para aquela folha de papel fino que era esticada sobre palhetas de bambu, amarradas em uma linha. Em geral, passávamos cerol na linha – uma mistura de cola de madeira derretida com pó de vidro bem moído – sem o qual não via graça nenhuma em soltar cafifa. Ficava um dia inteiro envolvido com elas. O termo era “pôr no alto”. Que delícia! Correr atrás da cafifa torada ou voada (com a linha cortada por outro), arrastar a linha dos outros… Mas nada era mais apaixonante do que laçar ou torar (cruzar a linha de minha pipa com a de outro no alto) e cortar alguém. Ainda hoje adoro ver uma boa tora. Paixão mesmo. Dormia com elas na cama e sonhava várias vezes que eu mesmo era uma, mas sem nenhuma linha presa. Como eu era louco por cafifas!

Comecei a pensar no quanto este inocente objeto marcou minha vida. Sempre que falamos de coisas ou pessoas que nos marcaram pensamos em um grande autor ou um personagem relevante, mas sem querer decepcionar ninguém, devo ser sincero em dizer que foi este objeto banal, mas do qual jamais irei me esquecer – a cafifa – que me marcou, mesmo!

A última vez que soltei uma cafifa em minha adolescência foi emblemática. Tinha uma garota que foi morar na minha rua, perto de minha casa, e que eu gostava, mas ela nunca soube, como ocorreu com várias. Estava eu no telhado de minha casa, deliciando-me com as toras, até que ela chega e eu num ato impensado, me escondi. Tive vergonha da cafifa. Não queria que ela – a menina – pensasse que eu ainda fazia estas coisas de crianças ou adolescentes irresponsáveis. Meu coração bateu forte à beça. Ela não me viu soltando cafifa e nem veria mais, pois por alguma razão imbecil, achei que seria a hora de parar e parei.

Ainda não sei direito o que aprendo com a cafifa, mas ela virou um paradigma: quando quero saber se algo está me apaixonando penso se está gerando em mim o que a cafifa me gerava. Ela tornou-se minha referencia passional e visionária. O que quero dizer é que não posso lançar minha vida em algo que não me desperte paixão e entusiasmo. Pra levar minha energia, meu vigor e meu tempo tem que fazer comigo algo ao menos próximo do que a cafifa fazia. É neste sentido que eu também quero “cafifa o ano inteiro”. Algo simples que me impulsione, me motive, me apaixone a cada dia. Graças a Deus, tenho algumas novas cafifas em minha vida. Não são novos brinquedinhos. Antes, são coisas bem sérias, mas igualmente apaixonantes e vibrantes.

Não sei como algumas pessoas lançam suas vidas em coisas que não lhes emociona, não lhes apaixona, não lhes faz vibrar, não lhes dão vida e sabor. Como viver para algo, como se dedicar a algo que não nos faz sentir que a vida é mesmo uma maravilha, que não traz alegria… Sim, eu quero cafifa o ano inteirinho. Agora mesmo estou indo colocar uma destas novas cafifas no alto. Que delicia! Vamos, ponha a tua no alto! Você tem uma , não?

Até.

Deixemos de coisas e cuidemos da vida…

Vandi

Vê se te enxerga…

segunda-feira, julho 19th, 2010

          Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. Como é fácil perceber os erros nos outros, mas em nós mesmos…    

          Mas o ensinamento de Jesus, citado acima, nos deixa claro que precisamos reconhecer nossas próprias fraquezas antes de apontar as dos outros. Acho que Jesus, em outras palavras, estava nos ensinando: “sujeitinho, antes de falar de alguém: vê se te enxerga!”

          Quando reconheço minhas fraquezas faço-me autorizado diante do outro para lhe falar sobre suas questões. Enquanto não faço isso assumo uma postura julgadora e prepotente o que impede ao outro de me ouvir. Se não reconhecermos as fraquezas, não existirá energia ou ímpeto para levar uma pessoa a se mobilizar para mudanças. Em uma relação se uma das partes nega seus defeitos desde o começo, não haverá razão para o outro tentar reconhecer os seus e desenvolver novas e mais saudáveis posturas. É muito mais fácil se doar a alguém que abriu mão do orgulho e se dispôs a reconhecer o ruim dentro de si mesmo. Experimente fazer assim se quiser melhorar sua relação com alguém que você esta tendo dificuldades!

          Até porque, quem precisa ser invulnerável se mostrando ser sempre competente e seguro de si mesmo, não conseguirá observar fraquezas escondidas colocando na condição de se mostrar mais forte e perfeito ainda – nunca irá crescer – e seus conflitos não serão processados. Assim, se meu próximo – seja um cônjuge, um amigo, um parente ou colega de trabalho – não perceber meus esforços para mudar, ele também se enrijecerá. Mas, ao contrário, se nos mostrarmos dispostos à mudança abriremos caminho para que o outro aceite nossa ajuda e busque sua própria mudança.

          Se por um lado enxergar as próprias fraquezas permite ao outro que eu o ajude, o outro, por outro lado, se não admitir suas fraquezas, pode dificultar meu auto-exame ou mesmo dificultar a resolução de conflitos. Ligado a isto está o fato de que se uma parte que se considere afetada não conseguir processar a ofensa concedendo perdão, isto irá estagnar ou estragar ainda mais a relação. Ou zeramos os sentimentos de mágoa e ressentimentos ou tornaremos nossa relação cada vez mais desprazerosa e infeliz. Ás vezes é justamente a parte que se sente afetada que terá de se mobilizar, optando pelo perdão, aceitando ao outro sem impor-lhe acusações constantes, dando a si mesmo e ao outro a oportunidade de recomeçar tudo de novo.

          Por fim, somente quando reconheço a minha própria parte nos conflitos relacionais é que me torno capaz de avaliar corretamente a situação. Só enxerga a realidade com clareza quem não se exclui dela. Só posso ajudar ao outro se antes procurei ajuda pra mim mesmo, primeiro reconhecendo os meus desajustes e desacertos e, depois, tentando me tratar para processá-los e resolvê-los. É necessário humildade para isto, por isso devemos estar dispostos a nos livrar de nossa arrogância, deste orgulho destruidor, posto que não nos possibilita transformarmos a vida, não nos deixa restaurar o prazer de viver em comunhão, antes só o destrói.

          Em resumo: se eu me enxergar vou facilitar que você aceite o que eu enxergo em você e se você se enxergar vai facilitar que eu aceite o que você vê em mim e todos veremos com clareza a verdade entre nós e sobre nós.

          Estas atitudes poderão nos ajudar a construir relações mais saudáveis. Leve-as muito a sério, pois foram inspiradas nas palavras de Jesus (Mateus capitulo 7, versos de 1 a 5).

         Até.

         Deixemos de coisa cuidemos da vida.

         Vandi

PS. Zanza, que festança, hein? Parabéns, amiga.

Esta insuportável verdade!

sexta-feira, julho 9th, 2010

       Há muito tempo não ouço uma boa e dura verdade sobre mim. Por que será?  Não tenho dado motivos para ouvir nada? Não, creio que meus amigos não me dizem algumas verdades pela mesma razão que faz com que eu não lhes diga tantas outras. Que desastre ocorreria se começasse a dizer todas as verdades que penso! Mesmo dizendo da melhor forma, com amor, com jeitinho e tal… Há verdades bombásticas por si mesmas. Veja se não é verdade isto.

       Imagine você se tivesse amigos narcisistas… Sim, aqueles tipos extremamente vaidosos que pensam que todo o universo gira em torno de seus umbigos. Se você lhes dissesse sobre sua “umbiguidade”, creio eu, teriam dificuldade em continuar seus amigos. Se alguém me dissesse isso, eu acharia que é um recalcado qualquer.

       E se tivesse amigos mentirosos? Dentre estes, há os que acreditam em suas próprias mentiras e os que mentem pra manterem uma boa imagem ou uma boa política de relacionamento. Seria mais próprio chamar-lhes de falsos. Sim, é possível ter amigos falsos. Já pensou se lhes disséssemos: “Cara: você é muito falso. Este seu abraço é falso. Seu sorriso é falso. Sua amizade é falsa”. Eu, se ouvisse isso, me viraria e nunca mais olharia pra este sujeitinho arrogante.

       Você tem amigos burros, amigos imbecis, idiotas? É melhor que jamais saibam disso por seu intermédio. Espero que jamais me digam isto: não tenho esta maturidade também. Deixem-me com minhas burrices, imbecilidades e idiotices, mas, acima de tudo, deixem-me continuar sendo seus amigos.

       Amigos políticos: estes são amigos, não? Não discuto políticos.

       Se os amigos forem do tipo legalista, religiosos ao extremo e que pensam que são santos e tão somente fiéis, mas não passam de fariseus? Não lhes falemos isso, pois, além de nada adiantar, será chato às pampas o que eles vão falar da gente por aí. 

       Como se diz para os amigos feios, desajeitados, esquisitos que eles são feios, desajeitados e esquisitos? Se lhes dissermos isso, pulam da ponte. Se bem que isso eu já ouvi. Não pulei da ponte, mas agarrei no pescoço do sujeito e quase o matei.

       E os amigos que roncam, que roncam muito, mas muito alto mesmo? Ou que têm mau hálito ou ainda  não usam desodorante? Como dizer essas coisas a um amigo, sem lhe ofender ou magoar? Conquanto eu ache desonesto ver um amigo com feijão no dente ou com meleca no nariz e não lhe dizer nada… Mas, como reagirão a tal revelação?

       Tenho amigos traíras, que não são amigos, mas é melhor que pensem que são.

       Viram? A verdade pode, sim, ser desastrosamente insuportável. Não é toda verdade que liberta. É por isso que não podemos dizer tudo o que sentimos e pensamos. Isto seria uma transparência perigosa e talvez até homicida. Mas devo ter a certeza de que tudo o que eu disser seja verdade. O verdadeiro não diz tudo o que pensa, mas o que diz é verdade. O transparente diz tudo o que pensa, mas nem sempre é a verdade.

       Talvez não sejamos bons amigos – entenda-se: profunda, real e incondicional amizade. Sim, a verdade: quem a pode suportar? É por essa razão que Jesus disse para primeiro tirarmos a trave que está no nosso olho – reconhecermos as verdades sobre nós – para depois tirarmos o argueiro que está no outro – ajudarmos ao outro a reconhecer as verdades sobre si mesmo. No próximo, eu falo mais sobre isso. De verdade!

       Até,

       Vandi

       Deixemos de coisa e cuidemos da vida.

PS. Madruga: Parabéns! Você é um amigo dos melhores que se pode ter. (Alguém transmita isso pra ele, pois ele não lê meus posts. Fui transparente?)