Que diferença faria se você não existisse?

fevereiro 1st, 2010 by vandi

   Fiz-me essa pergunta há poucos dias e, tão logo a fiz, vi que poderia respondê-la em duas direções.

   A primeira é no sentido de: que diferença faria pra mim mesmo, o que teria perdido e não teria vivido? Logo pensei em minha esposa e filhos. O sentimento que me veio foi de um grande alívio, pois, afinal, eles são a riqueza de minha vida. Mas não continuei por este caminho e logo pensei na outra direção: que diferença eu tenho feito na vida de outras pessoas? Da mesma forma, logo pensei na minha família, mas percebi que a questão, para ser respondida de forma honesta e profunda, deveria ser estendida para fora de minha casa. Assim, a questão mesmo é esta: se eu não tivesse nascido, que diferença isto faria na vida de outras pessoas para além do meu convívio familiar? Não sei quanto a você, mas essa questão pode nos deixar bastante deprê, arrasados, desanimados, pois talvez nossa performance solidária – tendo este como um dos fatores que nos ajudam a responder positivamente a questão -  não seja das mais louváveis. Então, também achei melhor não ficar muito tempo nessa direção e preferi pegar outro rumo: que diferença eu posso começar a fazer na vida de outras pessoas? Agora, sim, um novo céu se abre diante de nós. Um mundo de oportunidades-de-atribuição-de-sentido se descortina à nossa frente.

   Vou lhe dizer como sinto, de coração, que podemos fazer diferença: olhe ao outro, fale com ele, lhe dê atenção de modo a deixar claro que ele tem um grande valor, que ele merece respeito, que ele, este outro, quem quer que seja, é amado por você, ou, se não tanto, respeitado. Isso pode ser traduzido em um sorriso, em um tempo que paramos para ouvir ao outro, em termos mais paciência com seus erros, como o que consideramos que sejam suas “burrices” e, até mesmo, mais tolerância com sua estupidez e arrogância (como é bom e terapêutico vermos nossa burrice, estupidez e arrogância serem tratadas com paciência).  Mas também pode ser traduzido quando dedicamos algo de nossas vidas para o bem alheio, quando nos doamos e não vivemos somente para nós mesmos, quando nos solidarizamos com os sofridos haitianos ou etíopes, ou com as vítimas de enchentes, com os que sofrem, enfim. Essas coisas fazem-nos diferentes, pois nos humanizam.

   Penso que a vida é muito mais confortável e tranquila quando não pensamos nessas coisas, quando não estamos nem aí se faremos essa diferença ou não. Mas uma certeza podemos ter também: nenhum de nós nasceu para passar pela vida sem deixar ao menos uma boa marca na vida alheia. Não precisamos ser mártires, nem pensarmos em ações nacionalmente revolucionárias, mas, quem sabe, cada dia uma diferença. Já escolheu a sua de hoje? 

   Até,

   Vandi

   Deixemos de coisa, cuidemos da vida.

Decida: Seja Uma Pessoa Melhor!

janeiro 21st, 2010 by vandi

    No último post, vimos como o cuidado com o que falamos nos ajuda a termos uma vida melhor. Agora, quero expor um complemento fundamental para vivermos dias mais felizes: decida ser uma pessoa melhor. Sabe como? Vou propor um exercício: para cada uma das cinco perguntas abaixo, dê apenas uma resposta. Basta uma resposta, ok?

  • O que eu preciso mudar pra ser uma pessoa melhor para a minha família?
  • O que eu preciso mudar pra ser uma pessoa melhor para os meus amigos?
  • O que eu preciso mudar pra ser uma pessoa melhor para os que trabalham comigo?
  • O que eu preciso mudar pra ser uma pessoa melhor para os meus vizinhos?
  • O que eu preciso mudar pra ser uma pessoa melhor para mim mesmo?

     Olha, não duvide, isso pode revolucionar sua vida. O primeiro passo pra ser alguém melhor é querer mudar. Talvez esteja na hora de pensar se algumas das reclamações e críticas que você ouve de algumas pessoas não têm um fundo (ou um todo) de verdade, não é, não? Dê uma parada e pense no que tem ouvido dos filhos, cônjuge, amigos, colegas de trabalho, ou até naquilo que você mesmo já se disse, mas não tem dado a devida atenção. O segundo passo é decidir mudar. Isto vai exigir um certo esforço, pois você pode estar acostumado a ser assim há muito tempo e talvez precise de muitas tentativas. Mas tente quantas vezes forem necessárias. Quem toma essa decisão experimenta um certo regozijo na vida que, por si só, já vale muito. É mesmo bom pensar: “Eu já decidi: serei uma pessoa melhor!”. E, se tiver muita dificuldade em concretizar esta decisão, o que é comum, ajudará muito compartilhá-la com alguém de sua inteira confiança.

    Quero concluir e resumir o que disse neste post e no anterior com as palavras que me serviram de inspiração para ambos: “aquele que ama a vida e deseja ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios de proferir mentiras; afaste-se do mal e pratique o bem, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la”. (Salmo de Davi, cap. 34, versos 12, 13 e 14)  

    É o que cremos: a felicidade emana de lábios sensatos e de ações pacificadoras e benevolentes. A maior de todas as alegrias é esta: viver de modo sensato e, sobretudo, abençoante. Sejamos todos uma bênção!

     Até,

     Vandi.

     Deixemos de coisas e cuidemos da vida.

Para viver um Ano Novo Feliz

dezembro 14th, 2009 by vandi

    Quero dar algumas dicas infalíveis para se viver um ano novo feliz. Não é presunção, nem deslumbre: trata-se, apenas de coisas que, certamente, irão nos ajudar a viver dias felizes.

    Quanto aborrecimento, quanta tristeza e chateação nos vieram neste ano que passou devido a coisas que falamos de alguém ou para alguém. Ah, se não tivesse falado isso ou aquilo! Pra que eu tinha de dizer o que disse pra meu marido, ou minha esposa, ou meu irmão ou irmã, ou meu chefe, ou meu empregado, ou a este ou àquele? Por que eu tinha de responder logo daquela maneira…? Se tentarmos nos lembrar, veremos o quanto teríamos nos livrado de aborrecimentos se tivéssemos guardado melhor nossa língua. Eu já decidi: neste próximo ano vou vigiar muito mais o que tenho falado aos outros e dos outros, pois quero ter um ano mais feliz com meus filhos, minha esposa, meus amigos, com todos. Se tivesse coragem, poria até um piercing na língua pra me lembrar de que preciso vigiá-la.

    Quando adolescente, tinha pendurado no canto de meu teto uma língua enorme – era o famoso símbolo dos Rolling Stones. Acho que vou fazer isto outra vez, mas agora por esta razão: preciso controlar o que falo. Falar coisas que destratam, que magoam, que depreciam, que diminuem nunca, jamais, fazem bem a qualquer pessoa, muito menos a nós mesmos. Tais coisas jamais são justificáveis por serem ditas, jamais são razoáveis, jamais são a melhor escolha. Tais palavras não transformam, não melhoram ninguém. Só estragam a vida: a nossa e as de quem ou com quem as falamos.  

    Então, fale de outro jeito com seu cônjuge: a aspereza, a frieza, a dureza, este modo seco, curto, impaciente de falar só geram desânimo, afastamento e morte. Fale de outro modo com seus filhos: esta gritaria, estas palavras depreciativas, talvez até xingamentos, estas palavras de derrota, de recriminação, de incessantes cobranças (ao invés de estímulo) só neurotizam e não trazem melhorias alguma, não evoluem, não amadurecem, só adoecem. Fale de outro modo com seus pais: esta intolerância, esta desonra, este descrédito não aproximam, não geram e não constroem nada, mas somente destroem suas vidas e as nossas também. Fale de outro modo com seus subordinados: esta grosseria só gera stress, não produz nada que valha a pena, não faz qualquer pessoa avançar ou crescer – de que adianta tanta desvalorização? Que mudança trará todas essas acusações e queixas? Nenhuma. Aliás, trará sim, pois as coisas irão piorar e muito. Enfim, atenda aos outros de outro modo, com gentileza, com um pouco de doçura, um sorrisinho nos lábios ao menos, com uma voz menos ríspida e mais amigável. Seja cordato e um pouco mais agradável. Tente fazer isto e você verá, com certeza, que seus dias, neste próximo ano, serão muito mais felizes.

    Sabe por quê? Porque o coração fica em paz quando estamos em paz com os outros, porque não carregaremos nenhuma culpa por termos ofendido ou destratado ninguém, porque teremos sido agentes de promoção dos outros e não de destruição, e isso nos enaltece. A alma se engrandece quando nossa língua é usada para ser abençoadora, promovedora de vida e de paz. Nada pode nos fazer ter um ano melhor. Cuidado, linguinha nossa, com o que fala!

     Mas, além de cuidarmos do que falamos, precisamos atentar para o que fazemos. Ahhhh! Se eu tivesse refletido melhor antes de fazer tanta coisa que fiz. Para que me meti naquele negócio? Para que me envolvi com aquelas pessoas? Por que tinha de fazer isso e aquilo? E, afinal, o que é preciso para fazer melhores escolhas e se envolver com ações mais frutíferas e felizes? Para não me alongar, trato disto depois, ok?

    Até.

    Deixemos de coisas e cuidemos da vida.

    Vandi

Jesus não morreu por uma igreja idiota!

dezembro 1st, 2009 by vandi

    No último post (“Prosperidade e a Marcha da Idiotia”), falamos sobre os estragos que podem advir a quem centra sua vida na busca pela prosperidade. Minha intenção não foi a de desanimar qualquer pessoa a buscar prosperar na vida – isso seria uma idiotice de minha parte. Somos livres para a busca de uma vida melhor, mas o perigo está em centrar a existência nesta busca e em não se ter o cuidado necessário para evitar que nos tornemos egoístas e avarentos. Mas, vamos ao outro ponto.

    Fiquei muito triste ao assistir ao vídeo que pode ser acessado em http://www.acaoreacao.blogspot.com, no qual um repórter entrevista os participantes da chamada Marcha para Jesus, ocorrida em São Paulo. Nesse vídeo, aparecem pessoas – permita-me lavar a alma – completamente idiotizadas, num oba-oba frenético e ridículo. Depois, assisti a outros vídeos de pastores completamente alucinados em suas pregações, berrando e em tons histéricos tentando levar seu publico a uma emocionalidade descontrolada. Fiquei triste ao pensar sobre a imagem que esses eventos podem trazer sobre a igreja. Sendo franco com o que senti, fiquei envergonhado. Será esta a verdade sobre a igreja: uma igreja sem cérebro, cheia de fanfarronices e presepadas, com líderes histéricos e delirantes? A julgar pelo que vemos por aí, podemos pensar que a igreja evangélica é uma instituição que marcha para o nada, ou pior, marcha para um despenhadeiro onde sua dignidade está despencando em rios de idiotice. Mas …

    … Jesus não morreu para construir uma igreja idiota. Se está idiota  ou não é sua igreja ou, em sendo, ainda tem muito a crescer. Não me tenha por arrogante ou por um juiz algoz mas, pelo pouco que sei, a igreja é de outra natureza, sim: sóbria, amorosa, adorativa e servidora ou misericordiosa.  

    Sabe de uma coisa? Qualquer um de nós pode ficar idiotizado. Não me refiro a uma idiotia como a do Príncipe Michkin, de Dostoiévski, que tinha por trás de sua excessiva bondade uma perspicácia capaz de desvendar a verdade no íntimo dos outros – não! Refiro-me a  uma idiotia vazia, estéril, vil.

    Os caminhos para esta idiotice? Ei-los: aceitar o que nos falam sem consciência crítica ou analítica; seguir tradições e rituais sem discernimento ou bom senso; nos deixarmos levar pela maioria, por falta de conteúdo ou por uma auto-imagem fraca, doente que nos impede de sermos autênticos; sacralizar pessoas e coisas, como se  suas palavras e atos fossem inquestionáveis – quantos têm doado fortunas para ministérios e pastores, desconsiderando todas as acusações, ou até mesmo condenações aplicadas a estes, por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato? Idiotizamo-nos quando nossas paixões arrastam nossas emoções e, por fim, quando não temos uma base sólida para fundamentar nossos pensamentos e atos. Fico muito assustado quando vejo um idiotismo coletivo causado por líderes que reúnem alguns dos itens citados e que arrastam multidões consigo.

    Mas, ora esta: um dos objetivos da igreja não é, justamente, o de fornecer bases bíblicas sólidas para a vida de seus membros? Deus mesmo não quer ser amado com todo o nosso entendimento? O idiota não sabe amar a Deus e nem servi-lo, pois não pode discernir Sua vontade. Não basta coração e força: Deus quer seres pensantes, analíticos, sensatos, transformadores. Não estaria nesta idéia o conceito de protestantismo, gente que protesta por causas justas? Historicamente, não tem sido a fé cristã uma das grandes forças revolucionárias e transformadoras da sociedade e do mundo? 

    O caminho para fugirmos da idiotia começa em conhecermos a Palavra de Deus e, principalmente, o Deus que nela fala. Mas precisamos, com urgência, nos abrir aos saberes que lançam luzes sobre todos nós e sobre a realidade que nos cerca. E, a partir destas bases, olhar todo o mundo a nossa volta com visão crítica, discernente, livre, transformadora. Que o Senhor nos livre, a nós, sua Igreja, de todo idiotismo, de toda estultice, para que existamos para o fim para o qual fomos criados: servir e amar a Deus de todo o coração, de todo entendimento e com todas as forças, e para amar e servir ao próximo. Nada poderia nos amadurecer mais nesta vida.

    Até.

    Deixemos de coisa e cuidemos da vida.

    Vandi

Prosperidade e a Marcha da Idiotia.

novembro 18th, 2009 by vandi

    Este post tem duas fontes inspiradoras: a primeira foi a resposta que o Deputado e Bispo Robson Rodovalho deu ao Pr. Renato Vargens à uma carta aberta que este lhe enviara. Se quiser lê-la: (http://renatovargens.blogspot.com/2009/11/prezados-irmaos-segue-abaixo-resposta.html); a segunda fonte foi um vídeo sobre a “Marcha para Jesus” (http://www.acaoreacao.blogspot.com/). Fiquei estupefato e paralisado por alguns minutos diante destes dois episódios. Fiquei triste, muito triste: pensar que a igreja por quem Jesus morreu chegou aonde chegou. De um lado, líderes com pensamentos completamente distantes do espírito e do conteúdo dos evangelhos. Por outro, uma igreja idiotizada, insensata, tola.

    Quanto ao primeiro episódio, Renato, amigo querido, já deu algumas  respostas devidas. Mas quero complementar que um pouquinho de sensatez e de algumas sinapses básicas que revelem um mínimo de conhecimento e honestidade bíblica já seriam suficientes para detonar os pensamentos desta oportunista e mercantilista Teologia da Prosperidade. Quer pensar outras pontos comigo?

    No post intitulado Sucesso que nada! Faço algumas afirmações que gostaria de reaplicá-las aqui. O maior e pior perigo desta vida estressante pela busca do sucesso e da prosperidade é o descambo ocorrido na visão de mundo e na missão de vida: quem centraliza sua vida na busca destas coisas vive para si e desconsidera o serviço ao próximo, não dedica o seu tempo e disposição para ser solidário e prestadio. Afinal, em todo o tempo terá de buscar a prosperidade. Mas Deus nos criou e nos salvou para que nós sirvamos.

    Nossa missão e visão de mundo, como cristãos, estão fora de nós mesmos, estão no outro, estão no amparo, estão na doação, na diaconia, no amor. Centrar-se na busca pela prosperidade nos torna narcisistas, hedonistas, triunfalistas, egoístas, doentes. Contudo, o que busca uma vida simples onde as necessidades são analisadas quanto a sua realidade e são supridas dentro de uma lógica modesta e sóbria, descobrirá tempo para viver muito melhor e para se colocar em disponibilidade para o favor alheio. Na verdade, quem se dispõe a enxergar ao outro para servi-lo, passa a enxergar a vida de modo muito mais altruísta, mas abnegado, suas demandas serão muito mais simples e humildes, pois seus olhares estarão abertos para ver o mundo como um campo que precisa urgente de ajuda e não como um teatro para a realização e satisfação pessoal, como o fazem os da Prosperidade.

    Peço-lhes que leiam duas obras que me ajudaram muito a entender este tema tão relevante: Tive Fome, Série Lausanne 1, ABU e  Cristãos Ricos em Tempos de Fome, de Ronald J. Sider, Sinodal. Se você quer algo mais rápido, assista o que John Piper diz sobre o tema neste link: http://www.youtube.com/watch?v=zdvXqO7aBBo.

    Menos indignado e mais triste fiquei ao assistir ao vídeo. Neste, um repórter entrevista os participantes da chamada “Marcha Para Jesus”. O que pensar dessa igreja revelada por aqueles entrevistados? Sendo franco com o que senti, fiquei envergonhado. Será esta a verdade sobre a igreja? Uma igreja sem cérebro, do oba-oba, cheia de fanfarronices e presepadas? A julgar pelo que vemos no vídeo, podemos pensar que a igreja evangélica é uma igreja que marcha para o nada, ou pior, marcha para um despenhadeiro onde sua dignidade despenca em rios de idiotice. Não, Jesus não morreu por uma igreja idiota. Mas esta é outra questão importante que vou deixar para o post da semana que vem, ok?

    Até,

    Com sensatez, deixemos de coisa e cuidemos da vida.                   

    Vanderley